Sociedade

Campanha de vacinação contra poliomielite em Luanda atinge mais de um milhão de crianças

Manuela Gomes

Um milhão e 600 mil crianças, em Luanda, serão vacinadas contra a poliomielite, durante três fases da campanha que iniciou ontem e termina no próximo mês de Novembro, numa altura em que despoletou um surto da doença em 11 das 18 províncias do país, com 18 casos notificados.

Governador de Luanda vacinou uma criança no Kilamba Kiaxi, área que registou caso de pólio
Fotografia: Maria Augusta| Edições Novembro

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, o país vive um surto epidémico de pólio, sendo que o último caso foi registado no dia 14 de Agosto deste ano, no município do Kilamba Kiaxi, onde arrancou ontem a campanha, com a presença do governador de Luanda, Sérgio Rescova.

Franco Mufinda apontou o não funcionamento de censo da vacinação de rotina, ausência ou insuficiência de mini arcas, estimulação dos técnicos, o não envolvimento da comunidade e a componente cultural, entre outras questões, como os pontos fracos que levaram ao surgimento do surto de poliomielite. O director provincial da Saúde disse que o arranque da campanha surge como resposta ao caso de pólio, registado no município do Kilamba Kiaxi, o que traduz a necessidade da combinação de esforços para o combate da reprodução do vírus da doença. Miguel Gaspar considerou que a luta demonstra a responsabilidade no quadro da erradicação da pólio, tal como aconteceu em ocasiões anteriores.
A representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que, nas últimas três décadas, o mundo realizou progressos em direcção à erradicação da poliomielite e, em 2018, havia apenas 33 casos controlados de poliomielite.
Fernanda Alves apontou a emigração humana, a recusa vacinal, dificuldades no acesso a algumas localidades e as variações na qualidade das campanhas como pontos que têm dificultado a imunização de todas as crianças, em África, o que tem causado uma cobertura vacinal de rotina deficiente.
Consequentemente, surtos de poliovírus, derivado da falta de vacina, foram registados na Nigéria, República Democrática do Congo (RDC), Etiópia, Somália e Angola.
Fernanda Alves reiterou o apoio da OMS ao Governo angolano, por forma a desenvolver um sistema robusto de vigilância e vacinação de rotina, a fim de prevenir, detectar e responder rapidamente a qualquer caso de poliomielite.
Para a representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Patrícia Portela, o surgimento do surto de poliomielite em Angola coloca em perigo a vida das crianças.
Destacou que a vacinação continua a ser uma das medidas mais eficazes de prevenção de inúmeras doenças que afectam as crianças, mas que não basta vacinar, pois é preciso que se continue com a vacina de rotina.

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