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Células estaminais ajudam no tratamento de infecções

A novidade chega do Instituto Roslin, no Reino Unido, onde a célebre ovelha Dolly foi criada: as células estaminais podem ser usadas para tratar infecções provocadas por bactérias.

Fotografia: DR

Após obter resultados promissores nos testes feitos com cavalos, a equipa de investigação, coordenada por uma portuguesa, acredita que, no futuro, as células estaminais adultas, que se encontram em muitos tecidos do corpo humano, podem vir a ser usadas como alternativa aos antibióticos.
“Descobrimos que as células estaminais mesenquimais produzem substâncias anti-microbianas, que fazem com que as bactérias não cresçam, ou cresçam menos”, explica ao jornal Diário de Notícias Cristina Esteves, numa conversa telefónica a partir da Universidade de Edimburgo. Além disso, prossegue, as células “actuam no sistema imunitário, ou seja, interagem com as células de defesa do organismo, para aumentar a capacidade que têm de se defender contra bactérias”.
A investigadora, que trabalha há quatro anos no Instituto Roslin, explica que “há muitos tipos de células estaminais, mas estas são células adultas, que existem nos diversos tecidos dos humanos e dos animais”, “o que tem uma grande vantagem em relação às células embrionárias, devido às questões éticas”. Estas células, adianta Cristina Esteves, começaram a ser usadas para tratar os cavalos que participam nas corridas há mais de 15 anos.
 “Na terapia animal, são utilizadas para a regeneração de tecidos e problemas artríticos”, exemplifica. Já nos humanos, “há muito interesse no uso destas células, e há muita investigação a decorrer”.
Segundo os investigadores, esta pode ser uma estratégia para lidar com a resistência aos antibióticos em seres humanos e animais, que se tornou um problema grave de saúde pública. “O uso de outro tipo de tecnologias que não passem só por antibióticos é extremamente necessário para aliviar o uso excessivo deste tipo de fármacos em animais e humanos”, frisa a investigadora.
Actualmente, “a maior parte dos estudos de laboratório faz-se com ratinhos”, mas estes “estão muito longe dos humanos”. Neste caso, diz a investigadora, como são usados equídeos, “há uma aproximação maior com o ser humano”.
Por tudo isto, Cristina Esteves acredita que, no futuro, “se vão usar células estaminais para combater as infecções e, se calhar, isso não vai demorar tantos anos a acontecer como às vezes pensamos que os medicamentos demoram a entrar no mercado”.

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