Sociedade

Cidadãos recolhidos foram soltos hoje

André da Costa

Pelo menos 27 cidadãos foram, hoje, recolhidos pela Polícia Nacional, na zona do Nzamba 2, na rua da Samba, em Luanda, quando tentavam manifestarem-se contra a tomada de posse do presidente da Comissão Nacional Eleitoral, na Assembleia Nacional, e foram soltos horas depois, no período da tarde.

Fotografia: DR

O porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, intendente Hermenegildo Adelino, disse que a manifestação não teve autorização das autoridades competentes, nem reuniu os requisitos exigidos legalmente.
Explicou que a Polícia Nacional dirigiu-se ao local para manter a segurança e para que a manifestação não inviabilizasse o curso normal das actividades diárias naquela avenida, uma das mais movimentadas da cidade de Luanda.
Acrescentou que a manifestação contrariou alguns artigos da Lei sobre Direito de Reunião e Manifestação e em face disso, "recolhemos os cidadãos e levamo-los até à 2ª Esquadra de Polícia, onde foram catalogados e posteriormente dispensados.
Hermenegildo de Brito confirmou que entre os recolhidos, estavam dois jornalistas, sendo um da Palanca TV e outro da Rádio Ecclésia, "que foram confundidos com os manifestantes, por não estarem identificados".
Em relação à suposta agressão contra os manifestantes, Hermenegildo Adelino explicou que a corporação está a apurar a veracidade da informação, e desmentiu o uso de gás lacrimogéneo.
Entretanto, o jornalista Orlando Luís, da Palanca TV, disse, ao Jornal de Angola, que foi maltratado por agentes da corporação, quando tentava reportar o caso.
José Kiabolo, da Palanca TV, teve ferimentos nos braços e na perna durante à confusão. Uma fonte do Comando Municipal da Polícia Nacional de Luanda, disse, ao Jornal de Angola, que o jornalista ficou ferido quando escorregou involuntariamente, quando tentava segurar a câmara e acabou por cair.
Bonito Carlos, da plataforma de intervenção do Kilamba Kiaxi, disse que foi "detido e torturado, quando tentava socorrer um amigo que participava da manifestação e, na hora de lavá-lo, fomos recolhidos para a Esquadra de Polícia.
Cândido Móises, outro manifestante, adiantou que tentou participar na manifestação, contra a tomada de posse do novo presidente da CNE, por várias razões e "fomos maltratados pela Polícia Nacional sendo que alguns ficaram feridos", disse.
Maria Napoleão, uma jovem de 18 anos, disse que foi à manifestação, por ser um acto legal, mas queixou-se de ter sido maltratada pelos agentes da corporação, tendo perdido os calçados e o telefone durante a confusão.

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