Sociedade

Cigarro causa nove por cento das mortes no país

Victorino Joaquim |

Cerca de nove por cento dos óbitos registados nos últimos anos no país são consequência do uso do cigarro, revelou ontem, em Luanda, a chefe do Departamento de Promoção da Saúde do ministério de tutela, Filomena Wilson.

Peritos da região africana preparam em Luanda relatório sobre o controlo do tabagismo e os números revelados são preocupantes
Fotografia: Domingos Cadência|Edições Novembro

Deste número, disse Filomena Wilson, cerca de quatro por cento são mulheres. Acrescentou que quase um milhão de adultos angolanos fumam todos os dias.
Filomena Wilson falava à margem do primeiro encontro de capacitação dos peritos da região africana na preparação do relatório sobre o controlo do tabagismo.
 Apesar destes dados, salientou, Angola é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como sendo um país de baixa prevalência no consumo de cigarros.
 Filomena Wilson lembrou que o uso do tabaco tem sido um factor de risco para a saúde das pessoas, provocando doenças crónicas não transmissíveis, como hipertensão arterial, cardíacas e pulmonares, entre outras.
A ciência continua a provar que o uso de tabaco mata lentamente muitas pessoas, disse Filomena Wilson, acrescentando que, no momento do uso do tabaco, os consumidores ignoram o risco que correm para satisfazer o vício.
Estudos realizados em 2009 pelas autoridades sanitárias de Angola, numa das províncias do país, revelaram que 20 por cento dos rapazes e 18 das meninas, dos 13 aos 15 anos de idade fumam, precisou.
 “O mais preocupante é que estes jovens, para além de fumar, também mascam a folha do tabaco e, por vezes, inalam o pó do tabaco, causando consequências ainda mais graves à saúde”, acrescentou a chefe do Departamento de Promoção de Saúde.
Apesar das informações disponíveis, disse, o país tem dificuldades em calcular exactamente as consequências do uso do tabaco.
As dificuldades surgem devido a várias preocupações a que as autoridades angolanas procuram dar resposta imediata, como o combate à malária, a diabetes e a hipertensão arterial,  entre outras, para evitar a morte de muitos pacientes em estado grave.

Consequências devastadoras

No discurso de abertura dos trabalhos, o ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, considerou devastadoras as consequências do uso do tabaco e a exposição ao fumo.
Por este facto, disse Luís Gomes Sambo, a Assembleia Nacional ratificou em Junho de 2007, a convenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa o controlo do tabaco e a redução do consumo. Em 2009, acrescentou, o Conselho de Ministros aprovou o Decreto 43 que proíbe as pessoas de fumarem em locais públicos. “As nossas actividades contra o tabagismo têm um carácter multidisciplinar e contam com o envolvimento de actores chaves, como os ministérios da Justiça, da Educação, das Finanças, do Comércio, do Interior e da  Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, além de organizações não governamentais e demais sectores da sociedade civil.
Apesar da baixa prevalência do tabaco no país, disse Luís Gomes Sambo, o Ministério da Saúde tem consciência da necessidade de melhorar-se a produção de dados que permitiam identificar a real tendência e monitorar as consequências do consumo no seio da população.  O mais alto responsável do Ministério da Saúde afirmou que o seu pelouro está empenhado na reforma do Sistema Nacional de Saúde, com o objectivo de melhorar as estruturas mais funcionais, capazes de corresponder às expectativas e necessidades da população.
O ministro disse que programas de promoção da saúde, como a luta contra o tabagismo, necessitam de um sistema de saúde “resiliente” para produzir resultados “dourados”, em termos de redução de doenças cardíacas, pulmonares e cancro, entre outras associadas ao consumo do tabaco.

Atraso económico

O representante da OMS em Angola, Hernando Agudelo,  frisou que o consumo do tabaco não afecta apenas a saúde dos fumadores activos e passivos, mas também provoca um atraso económico e causa danos ao meio ambiente, além do impacto negativo sobre as finanças.O número de mortes, anualmente, causado pelo consumo do tabaco em todo o mundo chega a atingir a cifra de 7,2 milhões de pessoas, 80 por cento das quais nos países de baixo ou médio rendimento.
 Na região africana, morrem todos os anos, aproximadamente,  146 mil adultos com 30 anos de idade ou mais, devido a doenças relacionadas com o uso do tabaco.
O chefe de equipa para o controlo do tabaco da OMS, Tibor Szilagyi, considerou inédito o encontro e disse que a capacitação dos peritos africanos vai servir de mecanismo para ajudar os países na apresentação dos relatórios sobre o controlo do tabagismo.
Tibor Szilagyi salientou que a apresentação de relatório é um requisito fundamental, “permite que os países se informem mutuamente”, não apenas sobre os seus progressos, mas também sobre dificuldades e desafios na implementação da convenção da OMS.
Qualquer apoio a ser dado pela OMS a estes países será com base nas informações contidas nos relatórios apresentados. “Não podemos prestar ajuda se não soubermos quais são as vossas dificuldades e necessidades”, acrescentou Tibor Szilagyi.
Dados recolhidos no local indicam que a Convenção da OMS para o controlo do tabaco é um tratado internacional que entrou em vigor em Fevereiro de 2005, com a finalidade de proteger a saúde pública mundial das devastadoras consequências derivadas do consumo e da exposição do tabaco. Angola ratificou a Convenção Anti-tabaco em Junho de 2007 e até ao momento implementou, como medidas mais relevantes, a interdição de fumar em todos os voos nacionais e internacionais.Participam no encontro a Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Libéria, Cabo Verde e a Zâmbia.

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