Sociedade

Comunidades arriscam vidas para se salvarem

Domingos dos Santos | Cidade da Beira

Todos os dias chega ajuda ao Aeroporto Internacional da Beira ajuda humanitária oriunda de vários países para as vítimas do ciclone “Idai”, que há 11 dias devastou o centro de Moçambique, principalmente a cidade da Beira, capital da província de Sofala.

Sinistrados moçambicanos estão a receber muitas ajudas externas em especial a de Angola
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Angola, que sexta-feira já tinha mandado 26 toneladas de bens diversos, no sábado enviou mais de duas toneladas de medicamentos. À esse movimento de solidariedade internacional, junta-se a de várias comunidades que, apesar de terem sido afectadas pelo desastre natural, arriscam as vidas para salvarem pessoas em maior dificuldade.
“Estamos a viver momentos heróicos. Temos um povo heróico. Nas zonas afectadas pelo ciclone, há comunidades a usarem canoas para se salvarem entre elas”, disse o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural de Moçambique, Celso Correia, destacando que a solidariedade interna e ajuda humanitária da comunidade internacional tem dado uma força às famílias afectadas. “Este movimento nacional e internacional tem nos ajudado e encorajado e as zonas afectadas começam a sentir que esse apoio é fundamental para podermos ultrapassar e reerguer esta parte do país como um todo”, frisou o governante.

Sobe o número
de vítimas mortais

O número de vítimas mortais do ciclone “Idai” que assolou a cidade da Beira, província de Sofala, centro de Moçambique, aumentou de 417, no sábado, para 446, ontem domingo.
O ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural de Moçambique frisou que esse aumento deve-se à recepção de informações de várias áreas anteriormente isoladas. Até ontem, acrescentou o governante, 531.476 perderam as casas ou estão isoladas a necessitar de assistência humanitária.
Celso Correia mostrou-se satisfeito com o número de pessoas salvas, tendo sido, até ontem, resgatadas 109.733 pessoas, entre as quais 6.563 idosos e mulheres grávidas, que já estão a receber assistência.
Actualmente, 90.756 alunos estão sem ir a escola devido a destruição de vários estabelecimentos de ensino nas áreas afectadas e 45 unidades sanitárias a nível da região foram destruídas ou parcialmente destruídas.
O contingente angolano na missão de ajuda humanitária a Moçambique começou ontem a trabalhar com as equipas criadas a nível local, para a sua integração nas áreas críticas para apoiar a população sinistrada.
O chefe da missão, brigadeiro Sabino Dunguionga “Saara”, disse que foi definido um plano estratégico para as operações de busca e salvamento. Há informações postas a circular na cidade da Beira que dão conta que helicópteros da Força Aérea Nacional devem participar nessas operações de busca e salvamento, mas o brigadeiro Saara, cauteloso, preferiu não confirmar esses rumores.
“Também tomei conhecimento da vinda de dois helicópteros da Força Área Nacional para apoiar as operações de resgate e salvamento, mas não posso confirmar essa informação, mas esperamos que a seu tempo o possamos fazer”, concluiu o brigadeiro.
Continua a chegar material de Angola, tanto meios médicos para doar, como para o pessoal prestar assistência médica e medicamentosa aos sinistrados. Ontem chegaram duas toneladas de medicamentos.

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