Sociedade

Conferência científica mobiliza professores nacionais e estrangeiros

Rodrigues Cambala

 Os  resultados de investigação científica e tecnológica, apresentados na Conferência Científica da Universidade Agostinho Neto,  por docentes e pesquisadores nacionais e estrangeiros, para  incentivar a prática de pesquisa e troca de experiência, vão ser divulgados publicamente para a resolução de problemas sociais no país.

Um ângulo do campus universitário da primeira instituição de ensino superior em Angola que tem até hoje a maior comunidade estudantil no país
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

A Conferência Científica da Universidade Agostinho Neto, realizada, há dias, em Luanda, sob o lema “Investigar para o desenvolvimento de Angola: situação actual e desafios”,  foi  dividido em quatro painéis, nomeadamente de ciências sociais, humanidades  e artes,  de ciências da natureza, engenharia e tecnologia,  de ciências de saúde e médicas e de  ciências agrárias e veterinárias.
Na conferência  foram abordados  temas  que mereceram acesos debates para a sua aplicação.  No tema sobre a “Avaliação do impacto Ambiental de Sedimentos Poluídos através de Estudos de Especiação”, apresentado pela vice-decana para Área Científica da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, Anabela Leitão, 
Foi referido que a poluição por metais pesados é um problema ambiental grave devido à persistência e não biodegrabilidade desses contaminantes.
O estudo aponta  que a contaminação de sedimentos por metais pode atingir um nível tóxico para a vida aquática. O objectivo do estudo foi avaliar a ligação  física-química e a biodisponibilidade dos metais tóxicos Cd, Pb, Cu, Zn em sedimentos marinhos. Esses metais tóxicos representam um potencial risco ambiental, porque foram extraídos das fracções lábeis do sedimento em concentrações que excederam os valores correspondentes de Effects Tabge Low, entrando na faixa onde ocorrem efeitos biológicos adversos. Já Adélio Mendes, professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que apresentou o tema “Electricidade Produzida a partir de Energia Solar mais barata e limpa”, indicou que a electricidade fotovoltaica já é hoje a forma mais barata de produzir electricidade em países com elevada radiação solar, como pode ser o caso de Angola.
A electricidade fotovoltaica só é gerada durante o dia e, desta fora, apenas parcialmente “despachável”. Para a tornar “despachável”, é necessário dispor de um sistema de armazenamento, sendo que as baterias são as mais indicadas.  O professor argumentou que as baterias solares de caudal prometem reduzir o custo da electricidade armazenada para valores abaixo dos possíveis com as tecnologias actuais, tornando as cidades energicamente auto-suficientes.
Miguel Fernando, docente da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto, que dissertou sobre “O Turismo: Importância do Turismo na Economia de Angola”, explicou que o estudo baseia-se em análises da importância do turismo na economia de Angola como estratégia de crescimento.
O docente acrescentou que o conceito "valor turístico" permite a construção de uma nova interpretação do turismo através dos processos de agregação, transformação e valorização.  O estudo da economia do turismo pretende ser suporte para estudos empírico-indutivos capazes de levar a resultados distintos dos métodos tradicionais da ciência económica. O vice-reitor da Universidade Agostinho Neto,  Agatangelo Eduardo, que se debruçou sobre “Desafios e oportunidades para o ensino das Ciências Agrárias e Veterinárias na Universidade Agostinho Neto”, lembrou que o ensino de Ciências Agrárias em Angola teve início ainda no tempo colonial. O vice-reitor referiu que o projecto de criação do Campus da Universidade Agostinho Neto previa espaços de experimentação agrária.
Agatangelo Eduardo afirmou que a primeira universidade pública em Angola tem docentes que possuem formação na área e que podem ser mobilizados para o ensino das ciências agrárias e veterinárias.

  Estudo genético localizou em Angola parentes desconhecidos


A médica e coordenadora da área de Genética da Faculdade de Medicina, Maria Madalena Chimpolo, que apresentou o tema “Estudo dos Microssatélites do Cromossoma Y em indivíduos de etnia ambundu”,  argumentou que se fez o teste de paternidade para a identificação de uma população específica e de origem comum.  O estudo, realizado em 107 indivíduos, concluiu que cinco destes partilhavam um ancestral comum. “Já sabemos que somos todos originários do povo Bantu, mas temos algumas mutações específicas para a região ambundu, que podiam ser facilmente descriminadas”, explicou ao Jornal de Angola.
A geneticista sublinhou que foi interessante notar que, apesar dos 107 indivíduos não terem nenhuma relação oficial ou conhecida de parentesco, cinco deles  partilham o mesmo genoma.
Com sobrenomes diferentes, os indivíduos não sabiam que eram parentes e nem residiam na mesma província.  A pesquisa foi realizada em Luanda, Malanje, Bengo e Cuanza Sul. “Biologicamente, eles são parentes”, garantiu a geneticista, para quem “isso foi interessante descobrir”. “O facto de sermos de uma região, pensamos que somos apenas daí. Às vezes, os nossos parentes estão numa região completamente diferente”, admitiu a especialista em Genética.
O estudo sobre a população ambundu é o terceiro realizado pela área de Genética da Faculdade de Medicina da UAN, depois de ter desenvolvido um estudo sobre a população geral de Angola e um outro sobre a população da etnia Kwanhama.
A área de  Genética tem a pretensão, caso haja financiamento, de realizar mais estudos.

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