Sociedade

Continente africano está sem psiquiatras

Em África, existe apenas um psiquiatra e um número semelhante de psicólogos para cada milhão de habitantes, refere a Organização Mundial da Saúde .

Número de especialistas em psiquiatria é insuficiente para a assistência a doentes mentais que todos os dias procuram os serviços clínicos
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Numa mensagem divulgada por ocasião  do Dia Mundial da Saúde que hoje se assinala, a directora regional da OMS para a África,  Matshidiso Moeti, afirma  que   a força laboral para a saúde mental, que inclui enfermeiros psiquiátricos,  terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, “é manifestamente insuficiente.”
Este ano, o Dia Mundial da Saúde  assinala-se sob o lema “Falemos sobre depressão”,  com o objectivo de chamar a atenção para o peso que este problema mental representa a nível mundial.
A OMS sublinha que a falta de disponibilidade de medicamentos psicotrópicos, informação adequada com psicoterapia bem estruturada e outras medidas eficazes nos serviços de cuidados de saúde primários para o tratamento da depressão são motivos de grande preocupação.  
A  agência das Nações Unidas refere que a  depressão é a principal causa de incapacidade no mundo e um dos factores que contribui para o fardo mundial de doenças. Atinge   perto de 30 milhões de pessoas em África e 322 milhões  no mundo.
A  depressão, refere a mensagem,  afecta pessoas de todas as idades, de todos os quadrantes e em todos os países.  Matshidiso Moeti  lembra que o estigma e o receio do isolamento social são obstáculos à procura de ajuda. “Existe uma necessidade premente de prevenir e tratar as pessoas afectadas por este grave e complexo problema de saúde”, sublinha a directora regional.
O simples facto de se falar sobre a depressão pode ajudar a preveni-la, através da eliminação do estigma. Procurar ajuda falando com pessoas de confiança pode ser um primeiro passo para a recuperação”, considera a directora regional da OMS.   Na mensagem, Matshidiso Moeti  recorda que a detecção precoce dos sintomas é fundamental para evitar que a depressão se torne numa doença crónica. A OMS define a depressão como uma doença caracterizada por tristeza persistente,  perda de interesse e capacidade de realizar as tarefas do dia-a-dia durante mais de duas semanas. A doença está associada ao sentimento de culpa ou auto-estima baixa, perturbações no sono ou no apetite, cansaço e falta de concentração.
 As principais causas da depressão incluem a perda de entes queridos, fim de um relacionamento, pobreza, desemprego, doença física, alcoolismo, toxicodependência e situações traumáticas, como violência e guerra.   
No pior dos casos, refere a mensagem,  a depressão pode levar ao suicídio, que é a segunda  causa mundial de morte em jovens dos 15 aos 29 anos.  A depressão varia de acordo com a idade, atingindo o seu pico em adultos mais velhos, dos 55 aos 74 anos, mas também ocorre em crianças e adolescentes. Sem tratamento, a depressão pode ser recorrente, duradoura e incapacitante. “Prejudica a capacidade de um indivíduo para lidar com as actividades diárias e pode ter consequências devastadoras para o relacionamento com a família e os amigos”, enfatiza Matshidiso Moeti  na mensagem.  
Matshidiso Moeti   refere  que os recursos para prevenir, identificar e tratar os problemas de saúde mental como a depressão  são muito parcos.A OMS publicou orientações para ajudar os países a aumentarem e melhorarem os serviços de saúde para as pessoas com problemas mentais  através dos cuidados prestados por profissionais não especialistas nesta área.
Estas orientações incluem o programa global de acção, o guia de intervenção e o plano mundial de acção para a saúde mental (2013-2020). Com cuidados adequados, assistência psicossocial e medicação, milhões de pessoas com depressão  em África poderiam começar a levar uma vida normal, mesmo onde os recursos são parcos. 
A directora regional da OMS lança um apelo aos países para que apoiem os programas de saúde mental, afectando recursos humanos e financeiros adequados para dar resposta a este fardo crescente. Apela igualmente aos Estados-membros que incluam a saúde mental nas suas agendas nacionais de desenvolvimento da saúde.
“A Declaração de Brazzaville sobre as Doenças Não Transmissíveis indica os passos necessários para se alcançar este propósito. De forma mais geral, os governos, parceiros e a sociedade civil podem trabalhar juntos para dar mais visibilidade à depressão na região”, refere  a mensagem, ao mesmo tempo que realça a disponibilidade da OMS em apoiar os países a fazerem face a este importante problema de saúde pública.

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