Sociedade

Covid-19: Alfaiates produzem máscaras de protecção na Huíla

Domingos Mucuta e Arão Martins | Lubango

Cidadãos estão a recorrer aos alfaiates para produzirem máscaras de protecção contra o Covid-19, depois da escassez e elevado preço desse material nas farmácias da cidade do Lubango, província da Huíla.

Um centro de quarentena para casos suspeitos de Covid-19 foi criado na zona neutra da Centralidade da Quilemba, arredores da cidade do Lubango.
Fotografia: DR

O alfaiate Barbosa Zuzy disse que, nos últimos dias, muitos clientes têm estado a solicitar grandes quantidades de máscaras de protecção, impulsionada pelo anúncio dos primeiros três casos positivos de Covid-19 no país. Há mais de 20 anos na profissão, Barbosa Zuzy disse que a demanda pelas máscaras de tecido é elevada, na medida em que os cidadãos buscam alternativas ante a escassez e aos preços exorbitantes das farmácias.

O alfaiate disse que a maioria das máscaras são feitas com tecido e com uma cobertura consistente que permite aos usuários respirarem sem constrangimentos. Barbosa Zuzy assegurou que a sua equipa está pronta para produzir máscaras em grandes quantidades ao preço de 400 kwanzas cada unidade.

Um dos clientes que aderiu às máscaras de tecido é o contabilista Carlos Baptista, que comprou quatro unidades para distribuir para alguns membros da família. Ele queixou dos preços praticados nas farmácias, onde cada máscara descartável custa entre 500 a 2500 kwanzas. “As máscaras estão difíceis e caras no mercado. Esta que estou a usar custou 2.500 kwanzas, para ser usada em 24h horas. Penso que não compensa gastar tanto. Mais vale usar estas de pano, que podem ser reutilizada, de-pois de serem levadas e estilizadas”, afirmou, questionando-se se o Ministério da Saúde aprova o uso deste tipo de máscaras.

A nossa reportagem contactou o Gabinete Provincial da Saúde e a Direcção da Saúde Pública da Huíla para confirmar o uso de máscaras de tecido produzidas pelos alfaiates, mas até ao fecho dessa edição não obteve nenhuma resposta.

Centro de quarentena
criado na Quilemba

Um centro de quarentena para casos suspeitos de Covid-19 foi criado na zona neutra da Centralidade da Quilemba, arredores da cidade do Lubango, província da Huíla, disse segunda-feira, a directora do Gabinete Provincial da Saúde.

Luciana Guimarães garantiu que o centro dispõe de todas as condições para qualquer eventualidade. Até segunda-feira, referiu, a província da Huíla tinha dez pessoas, provenientes de Lisboa, Portugal, em quarentena domiciliar. “Os dez casos estão controlados e isolados, a aguardar pelos exames laboratoriais”, disse.

O Governo Provincial da Huíla analisou, segunda-feira, o grau de implementação do Plano de Contingência para o controlo do Covid-19. Os participantes recomendaram o reforço e promoção das campanhas de prevenção sobre a pandemia e a utilização correcta e racional dos equipamentos de protecção. “Os cidadãos devem respeitar e cumprir com rigor as orientações e procedimentos relativos aos pontos de acesso dos utentes, bem como das medidas de higienização, distanciamento entre pessoas nas unidades hospitalares, em grandes superfícies comerciais, hotéis, restaurantes e similares, mercados e demais serviços de atendimento ao público”, refere o comunicado final.

Os casos suspeitos devem ser comunicados através do terminal 945050005 do Departamento de Saúde Pública da Huíla.

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