Sociedade

Covid-19: Camiões e ligeiros à espera nos pontos de saída e entrada de Luanda

Xavier António e Casimiro José | Sumbe

Longas filas de camiões e ligeiros foi o cenário registado, ontem, em vários pontos de saída e entrada de Luanda. Na localidade de Maria Teresa, além de camionistas e outros automobilistas, estavam dezenas de cidadãos perfilados para o teste, na tentativa de atravessarem a cerca sanitária.

Fotografia: Edições Novembro

Zenza do Itombe é um dos principais pontos de entrada e saída de Luanda. No local a regra é não permitir que nenhum cidadão passe a barreira, sem antes apresentar o teste negativo da Covid-19, credencial, assim como os documentos da viatura, no âmbito da prevenção e combate à pandemia, segundo apurou a reportagem do Jornal de Angola.

Mais de 25 efectivos das Forças de Defesa e Segurança estavam destacados no local, cumprindo com todas as medidas de biossegurança e armados até aos “dentes” e não deixavam dúvidas que se tratava de um cerco “apertado” e com muito rigor. Consta que o objectivo é não dar tréguas aos que desejam passar a fronteira sem apresentar os documentos exigidos à luz do Decreto Presidencial que estabelece as excepções sobre as entradas e saídas nas zonas sob cerca sanitária.

No lado esquerdo da fronteira do Zenza do Itombe está o posto comando da Polícia Nacional, com várias mesas montadas para rastrear todos os cidadãos que saiam e entravam para Luanda, na sua maioria camionistas que pretendia chegar às províncias do Cuanza-Norte, Malanje, Bié, Huambo, Lunda-Sul e outras.

Aos automobilistas era feita a medição da temperatura e de seguida apresentavam toda a documentação pessoal e da viatura. Alguns, sobretudo os que saiam de Luanda, não tinham os testes negativos da Covid-19 porque esperavam fazê-lo neste ponto fronteiriço que estava sem stock e aguardava-se pela reposição.

Este foi o caso de Pedro Afonso, camionista que foi autorizado a seguir viagem mesmo não tendo consigo o teste o negativo da Covid-19. Disse ter tentado várias vezes realizar o exame do novo coronavírus em Luanda, mas sem sucesso. “Aqui os testes começaram a ser feitos na sexta-feira às 19 horas, mas disseram-nos que já não havia testes”, disse.

Com o camião carregado de frango, o mesmo tinha como destino a província da Lunda- Sul. “É uma questão de saúde pública e tenho de cumprir com as orientações das autoridades sanitárias e vou fazer o teste tão logo encontrar uma equipa da saúde ao longo do caminho”, assegurou.

Pedro Epalanga, outro automobilista, também foi rastreado. Elogiou o trabalho realizado, mas defendeu que o posto de controlo do Zenza do Itombe deve ter equipas permanentes do Ministério da Saúde e com quantidades suficientes de testes rápidos da Covid-19 para quem estiver a sair de Luanda.  “Se os camiões pararem, a verdade é uma: o país `morre´", atirou visivelmente chateado com o tempo de espera para ser inspeccionado.

Com destino a província de Malanje, para onde levava produtos da cesta básica, Epalanga também não conseguiu realizar mais cedo o tão desejado teste rápido da Covid-19 para seguir viagem sem grandes constrangimentos.

Motorista de uma empresa de transporte de mercadorias, António Henrique saía de Luanda em direcção a província do Bié. À semelhança de outros camionistas, também reclamou da demora na inspecção dos documentos, apesar de ter o teste negativo. “Fiz o teste ontem no Mercado do Asa Branca e é negativo” disse, enquanto apresentava o documento aos técnicos de saúde no local.

Por outro lado, elogiou a barreira montada de modo a travar a propagação do vírus, mas defendeu uma melhor organização na inspecção da documentação. “É muito tempo de espera e temos comida para fazer chegar às populações do interior”, referiu. Armando Lopes passou a noite, de sexta-feira para Sábado, no posto de controlo do Zenza do Itombe, apesar de ter o teste da Covid-19.

Segundo ele, foi travado depois da inspecção porque tinha o credencial passado pela empresa caducado. “Tive de aguardar o envio de um outro documento que me permite chegar até Lucapa, na Lunda-Norte”.

António Simplista partiu de Luanda às 14h30 depois de realizar o teste da Covid-19 no Mercado do Asa Branca. Morador do Cazenga, teve de chegar ao local as 5horas da manhã e só conseguiu ter o resultado negativo as 14 horas. "Na quinta-feira fomos obrigados a regressar à Luanda porque não tínhamos os testes, o que criou-nos constrangimentos porque trabalhamos com comida. O destino é levar mercadoria à Biocom, no município de Cacuso, em Malanje”, disse.

Casos "positivos"
Nos testes rápidos serológicos realizados na sexta-feira, pelas autoridades sanitárias, foram detectados oito casos positivos da Covid-19, tendo já sido também realizado o exame de Biologia Molecular RT-PCR nasofaringe com a zaragotoa a fim de aferir os resultados definitivos.
Uma fonte ligada às Forças de Defesa e Segurança revelou que entre os casos positivos estão sete cidadãos angolanos e um chinês, proveniente da província de Malanje. Os suspeitos foram levados pelas equipas de resposta rápida do Ministério da Saúde e já cumprem quarentena institucional numa das unidades hoteleiras em Luanda.

 

Camionistas agastados com atrasos na realização dos testes

Os camionistas que circulam na Estrada Nacional (EN) número 100, provenientes de Luanda em direcção às províncias do Cuanza-Sul, Benguela, Huíla, Namibe e Cunene, enfrentam enormes dificuldades para seguir viagem, devido o atraso registado na realização de testes da Covid-19 na localidade do Longa, que dista a mais de 150 quilómetros da cidade do Sumbe, por falta de reagentes.

Na ponte sobre o rio Longa estavam retidos mais de 90 camiões, na medida em que os automobilistas aguardavam pelos testes da Covid-19, sem as quais não podem seguir viagem por ordem das autoridades sanitárias, criando embaraços aos compromissos das empresas prestadoras de serviços de transporte de mercadorias e outros equipamentos.

O camionista José Ulumbo disse que, das quatro horas que chegou ao Longa, apenas viu a situação de teste regularizada quando eram 12 horas. “É um embaraço esperar por um teste durante nove horas e constatámos que o atraso deveu-se à falta de reagentes, e para nós que assumimos um contrato é muito complicado” desabafou, tendo elogiado o trabalho dos efectivos da Polícia Nacional que continuam a manter
a segurança nas vias.
Outro condutor abordado pela reportagem do Jornal de Angola foi José Domingos Baltazar, que saiu da capital do país para escalar as províncias da Huíla, Namibe e Cunene, tendo manifestado o seu desagrado pela demora que fez na localidade do Longa. “É muito complicado quando se obriga a realizar testes sem criarem as condições técnicas para o efeito, e perdemos muito tempo, situação que pode criar muitos prejuízos para as empresas em que prestamos serviços”, frisou.

Hélder Santos foi outro condutor que se mostrou agastado com a demora que fez para conseguir realizar o teste. “Pedimos que as instituições de direito, encarregues na realização de testes disponibilizem reagentes nos postos de testagem para se evitar longas filas de camiões para o bem da circulação rodoviária”, disse.

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