Sociedade

Covid-19: Em tempo de pandemia, insegurança e ansiedade são factores de risco

Joaquim Júnior | Uíge

A directora da Maternidade Municipal do Uíge alertou, quinta-feira, que, em época de pandemia, a insegurança, medo e ansiedade podem colocar em risco a vida da mãe e do feto.

A Maternidade Municipal do Uíge atende diariamente uma média de 25 partos
Fotografia: DR

“A mulher em estado de gestação fica mais frágil e susceptível a contrair alguma doença. Faz parte do grupo de risco”, disse Kavenaweteko Adelaide Malavo, que falava ao Jornal de Angola sobre a maternidade e as medidas de biossegurança em tempo de pandemia. A directora da Maternidade Municipal do Uíge referiu que a pergunta mais frequente feita pelas gestantes é se uma mãe infectada com Covid-19 pode também transmitir a doença ao bebé.

A médica tranquilizou a população, sublinhando que ainda não há nenhuma evidência que comprova a transmissão vertical do vírus de mãe para filho. Às gestantes, Kavenaweteko Adelaide Malavo exortou a cumprirem as medidas de biossegurança durante as consultas pré-natal, parto e pós-parto, para a protecção do bebé e dos técnicos de saúde. 

Kavenaweteko Adelaide Malavo destacou o trabalho contínuo de aconselhamento, feito principalmente nos dias de consulta. As precauções com o uso obrigatório da máscara, aplicação do álcool em gel, a observância do distanciamento entre as parturientes, os cuidados em tocar nos olhos, nariz e boca, são entre outras medidas que os técnicos transmitem aos pacientes.

“As gestantes devem cumprir as mesmas medidas de prevenção para evitar a infecção pela Covid-19. Razão pela qual, à porta da Maternidade está sempre um balde com água para lavar as mãos e, no interior da instituição, primamos sempre pela limpeza permanente das salas, mantendo sempre o ambiente higienizado”, disse.

Sala de isolamento

A responsável assegurou que, desde a declaração do Estado de Emergência e, posteriormente, a Situação de Calamidade Pública, as mulheres vindas de zonas de risco são atendidas em salas de isolamento reservadas para o efeito, após realização obrigatório do teste de Covid-19. Kavenaweteko Adelaide Malavo acrescentou ainda que o mesmo procedimento é utilizado com parturientes que durante a fase de internamento apresentarem problemas respiratórios e temperaturas muito elevadas.

A directora da Maternidade Municipal do Uíge lembrou que todas as gestantes têm direito a um atendimento mais humanizado e seguro, antes, durante e após o parto, independentemente do quadro clínico que possam apresentar. “Os nossos profissionais estão devidamente instruídos como proceder na assistência a partos, para garantir a segurança da mulher, do recém-nascido e da técnica”, referiu.

Realização de cesarianas

Sobre a realização de cesarianas, a médica recorreu às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) que aconselha que o parto por cesariana deve apenas ser utilizado quando clinicamente justificado. “O modo do parto deve ser individualizado e baseado nas preferências das próprias mulheres, juntamente com as indicações obstétricas”, disse.

A responsável desaconselha a realização de partos caseiros, apesar da Situação de Calamidade Pública que o país vive. Alertou que cada parto tem as suas complicações, sobretudo nas gravidezes de alto risco. “As gestantes devem ter acompanhamento médico. Em caso de febre, tosse ou dificuldades respiratórias, deve receber imediatamente assistência médica. Se possível telefone para emergência, antes de ir para a unidade e siga as instruções da autoridade sanitária que o atender”, aconselhou.

Consultas externas

Kavenaweteko Adelaide Malavo avançou que a instituição retomou, desde o abrandamento das medidas de isolamento social, as consultas ginecológicas e neonatais, para atender as necessidades de saúde feminina, com maior prioridade para as de alto risco obstétrico, tais como, mulheres que tenham sido submetidas à cesariana mais de três vezes e aquelas que têm abortos sucessivos e outras complicações.

“A mulher é um ser muito sensível, por isso não podíamos paralisar as consultas por longo tempo, porque poderia trazer muitos problemas de saúde, sobretudo às consultas de genecologia e obstetrícia, onde recebemos pacientes de alto risco”, referiu.

Grávidas em quarentena

Para as pacientes provenientes de zonas de risco com circulação comunitária da pandemia, a médica garantiu estar aberta a linha telefónica da Comissão Multissectorial de prevenção e Combate à Covid-19, para efeitos de consultas, em quarentena domiciliar, às mulheres grávidas. “A Maternidade Municipal do Uíge faz parte da Comissão Multissectorial, por isso, somos sempre notificados quando uma mulher grávida apresenta complicações”, disse.

A Maternidade Municipal do Uíge atende diariamente uma média de 25 partos. A directora prevê o aumento de gravidezes e partos durante o período de confinamento social.

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