Sociedade

Covid-19: Enfermeiros tidos como heróis pelo desempenho

Edna Mussalo

A classe dos enfermeiros encara a situação da pandemia da Covid-19 com muita responsabilidade e determinação, e considera heróis os profissionais que se encontram na linha da frente, não só para atender os casos de doentes infectados pelo novo coronavírus, como outras doenças.

Enfermeiros dizem estar preparados para enfrentar a Covid-19 com muita responsabilidade
Fotografia: Nilo Mateus | Edições Novembro

O bastonário da Ordem, que teceu estas considerações ao Jornal de Angola, a propósito do Dia Internacional do Enfermeiro, que decorreu sob o lema “Levando o mundo para a saúde”, admitiu que se trata de uma luta com um inimigo invisível, sem bala e sem quartel.

Paulo Luvualo apelou, por isso, aos enfermeiros no sentido de tudo fazerem para dignificar ali onde estiverem, com ética, humanismo e profissionalismo, servindo a todos que necessitam de cuidados.

Paulo Luvualo indicou que, actualmente, dos mais de 90 mil profissionais formados desde a Independência, a Ordem dos Enfermeiros controla 44.015 técnicos credenciados. Deste número, acrescentou, 31.200 são mulheres e 12.815 são homens.

Os profissionais, prosseguiu, são distribuídos por nível de formação, entre bacharéis, técnicos médios e auxiliares de enfermagem. Explicou que, dos 44.015 enfermeiros, 24 por cento estão na faixa etária acima dos 48 anos, necessitando de serem substituídos por novos profissionais.

Paulo Luvualo lamentou a banalização da classe, notando a proliferação de escolas de ensino sem condições para formar profissionais capazes e que possam dar respostas adequadas aos cuidados de enfermagem. No tanto, Paulo Luvualo alega que na sua maioria as escolas não respeitam o rácio professor-aluno, não possuem campo de estágio e muito menos cumprem com a carga horária estabelecida.

“Assim, apelamos ao Executivo no sentido de estar atento, ao permitir a abertura de escolas de saúde com o curso de enfermagem, para evitar o contínuo surgimento de escolas que só servem para ganhar dinheiro, ao invés de formarem profissionais com a qualidade requerida”, disse o bastonário, que sublinhou que os profissionais de enfermagem têm vindo a conquistar o seu espaço, admitindo que ainda não se alcançou o patamar pretendido em todo o país, pois a classe continua a ser desrespeitada, apesar de ser a placa giratória nas unidades sanitárias, "mas que o seu trabalho ainda não é dignificado".

Entre as preocupações, Paulo Luvualo apontou a crescente ausência de diálogo entre os responsáveis da classe e o patronato, salientando que a comunicação devia ser permanente entre o Ministério da Saúde, a Ordem dos Enfermeiros, Sindicatos e a Associação Nacional dos Enfermeiros.

Apesar de tudo, Paulo Luvualo reconhece os esforços do Executivo na criação de condições para enfrentar à pandemia da Covid-19, mas espera-se pela continuidade do empenho e que se trabalhe todos dias para que as condições sejam garantidas, desde postos médicos, centros, hospitais municipais, gerais, provinciais e regionais.

A directora de Enfermagem do Centro de Oncologia, Esmeralda Chilembo, disse, na ocasião, que o trabalho da classe em Angola não é valorizado. Lembrou que até sente, por parte dos pacientes, e da população em geral uma certa diminuição do trabalho que exercem, chegando mesmo a haver insultos e discriminação contra os enfermeiros.

Esmeralda Chilembo chamou a atenção às pessoas que descredibilizam o trabalho dos enfermeiro, que considera essencial para garantir a recuperação e salvamento de vidas em perigo, quer nos hospitais, quer em instituições que necessitam de assistência contínua de cuidados.

“Somos nós que, nas diferentes funções e papéis, estamos com os pacientes, desde a pré-triagem e triagem, estando a todo o instante com o doente, muitas vezes até na hora da morte. Cabe aos técnicos de enfermagem o importante papel do bom andamento do trabalho hospitalar”, precisou.

Esmeralda Chitembo disse que, sobre a Covid-19, a classe têm recebido formação a nível do Ministério da Saúde de modo a estar melhor capacitada para atender os que estejam doentes ou suspeitos infectados pelo vírus.

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