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Covid-19: EPAL sem camiões cisternas para distribuir água potável

Pereira Dinis|

A Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) não dispõe de camiões-cisternas para fazer a distribuição de água potável aos bairros que não estão ligados à rede de abastecimento de água, informou, na terça-feira, o porta-voz Amândio Joaquim.

Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, no âmbito da prevenção e expansão da pandemia de Covid-19, o porta-voz disse que as administrações municipais podem, dentro das suas possibilidades, ajudar na distribuição de água a estas zonas, por terem camiões-cisternas que geralmente são utilizadas no fornecimento de água a hospitais e as escolas.
O porta-voz da EPAL, Amândio Joaquim, adiantou que o fornecimento de água porta a porta é feito por camionistas associados, que retiram água de girafas (pontos de abastecimento) para ser comercializada nos bairros da província de Luanda com falta de água.
“A EPAL sobrevive de receitas”, explicou o porta-voz, acentuando que, se a empresa pública distribuir água gratuitamente, fica sem operacionalidade, comprometendo assim os encargos, como o pagamento de salários e a compra de produtos químicos e equipamentos. Alguns bairros, como o de Talatona, estão privados do fornecimento de água potável devido a um trabalho de manutenção na Estação de Tratamento de Água de Luanda Sul, onde estão a ser substituídos filtros, para a água ser distribuída com mais qualidade.
O porta-voz da EPAL confirmou que as estações de tratamento de água fornecem o “precioso líquido” de 24 sobre 24 horas, período que é, às vezes, reduzido para 12 horas em algumas zonas residenciais e seis horas noutras, para facilitar que os “bairros com défice” na distribuição não fiquem prejudicados, sobretudo quando há trabalhos de manutenção ou quando enche ou baixa o caudal do rio.
A rede da Empresa Pública de Águas tem capacidade para fornecer à província de Luanda 500 mil metros cúbicos de água potável, mas, por ser antiga, distribui apenas 400 mil metros cúbicos.
“Às vezes, trabalhamos com geradores, o que faz com que não consigamos fornecer água 24 horas por dia, por exemplo, à cidade do Kilamba”, acentuou o porta-voz da EPAL.
Amândio Joaquim confirmou ainda que tem havido roturas nas condutas da EPAL, provocadas por empresas de outros ramos de actividade, como os de Construção Civil e Telecomunicações.  A Empresa Pública de Águas continua, de acordo com o porta-voz, comprometida com a melhoria contínua da distribuição de água potável e tudo tem feito para que o líquido chegue a todos os municípios da província de Luanda.
Sobre o combate ao garimpo de água, o porta-voz afirmou que a EPAL tem trabalhado em parceria com outras instituições do Estado, para estancar o fenómeno, por continuar a ser uma “dor de cabeça” e prejudicar muito a empresa e os habitantes de Luanda.
No âmbito do plano de contingência destinado ao combate ao Covid-19, os clientes que fazem o pagamento do consumo de água nas agências comerciais da EPAL ficam a uma distância mínima de um metro uns dos outros e encontram álcool gel para desinfectar as mãos, enquanto os trabalhadores atendem com máscaras e luvas.

 

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