Sociedade

Covid-19: Milhares de crianças podem morrer este ano

Manuela Gomes

O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentado em Abril, do ano em curso, alerta que dezenas de milhares de crianças poderão morrer esse ano, em todo o mundo, devido ao agravamento da recessão mundial, que reverteu os progressos alcançados nos últimos três anos a mortalidade infantil.

Fotografia: DR


O documento intitulado “O impacto dos efeitos da Covid-19 na vida das crianças” identifica os principais riscos que a pandemia da Covid-19 representa às crianças. Sublinha que algumas correm riscos maiores, como as que vivem em favelas, campos de refugiados e em zonas de conflito.
Quanto à Educação, o relatório destaca o encerramento de escolas em 188 países, afectando um universo de mais de 1,5 bilhão de crianças e adolescentes. O documento refere que, apesar da maioria das crianças não apresentar grandes complicações, quando infectadas pelo vírus, os impactos socioeconómicos, bem como as medidas de mitigação adoptadas pelos governos podem ser potencialmente catastróficas para milhões de crianças.

“O que começou como uma crise de saúde pode tornar-se numa crise dos direitos das crianças”, lê-se no documento, que considera ser necessário que haja mais informação, solidariedade e acções que levantem uma série de medidas concretas e que devem ser tomadas, como a implementação ou expansão da assistência social às famílias, de preferência por meio de subsídios universais para crianças.

Proteger as cadeias de abastecimento e mercados locais de alimentos, para apoiar as crianças de uma crise de segurança alimentar, dar prioridade à continuidade dos serviços centrados à criança, como a escolaridade, programas de nutrição, cuidados maternos e neonatais, de vacinação, saúde sexual e reprodutiva, tratamento do VIH, saúde mental e serviços psicossociais, são algumas das recomendações sublinhadas no documento.

No relatório sobre “O impacto dos efeitos da Covid-19 na vida das crianças”, a ONU aconselha os governos no sentido de estabelecerem protecções específicas para as crianças vulneráveis, incluindo migrantes, deslocados, refugiados, crianças com deficiência e presas em conflitos armados, assim como fornecer apoio prático aos pais e encarregados de educação, sobre como devem gerir a sua própria saúde mental e dos filhos, usando ferramentas que podem contribuir na aprendizagem dos seus descendentes.

Pandemia afecta direitos das crianças

Os direitos das crianças são gravemente afectados pela crise provocada pela pandemia da Covid-19, em quase todo o mundo, alerta a KidsRights, uma organização não governamental internacional de defesa dos direitos infantis.
Segundo aquela organização internacional, a propagação da doença tem um impacto desastroso sobre muitas crianças, e o encerramento de escolas que, ocorreu em 188 países e afecta 1,5 bilhão de crianças e adolescentes, deixa menores muito vulneráveis ao trabalho, ao casamento infantil e à gravidez precoce.

A KidsRights afirma que a pressão sobre o sistema de saúde interrompeu alguns programas de imunização contra doenças como poliomielite e sarampo, situação que pode provocar um aumento da mortalidade infantil, com centenas de milhares de mortes adicionais. Informa que, a suspensão das campanhas de vacinação contra o sarampo, em 23 países, já afectou mais de 78 milhões de crianças menores de nove anos.
Citando uma estimativa da ONU, alerta que entre 42 e 66 milhões de crianças devem cair no patamar da pobreza extrema, por
causa da crise.

“Enquanto os governos estiverem lutando para manter o sistema de saúde e a economia em funcionamento, é questionável até que ponto serão capazes de ter esse foco de proteger os direitos das crianças. Deixar de lado a protecção das crianças pode ser desastroso a curto prazo, mas mais ainda a longo prazo, tanto para a geração actual quanto para a futura”, alerta a organização.

Fácil acesso aos testes

A ONU defende que as crianças, adolescentes e jovens tenham acesso fácil aos testes, tratamento e vacinas da Covid-19 quando estiverem disponíveis. Durante a apresentação do relatório em causa, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) mostrou-se preocupado com o bem-estar de todas as crianças do mundo, e com o impacto que a pandemia da Covid-19 tem nas suas vidas.
Na ocasião, António Guterres lembrou que, apesar de algumas escolas oferecerem ensino à distância, esta possibilidade não está disponível para todos, tendo alertado que as crianças em países com serviços de Internet lentos e caros, estão em grande desvantagem. “Esta crise inédita é, também, uma oportunidade sem precedentes de solidariedade internacional para com as crianças, e revolucionar a forma como investimos nas gerações mais jovens”, disse.
As Nações Unidas (NU) enfatizam que esta é uma crise universal com uma escala sem precedentes, em que todas as crianças, de todas as idades e países, são afectadas. Neste contexto, consideram ser necessário agir de imediato, para mitigar os impactos que a pandemia terá sobre as crianças.
António Guterres apela aos líderes mundiais, que façam tudo o que estiver ao seu alcance para amortecer o impacto da pandemia. “O que começou como uma emergência de saúde pública transformou-se num teste formidável à promessa global de não deixar ninguém para trás”, enfatizou o secretário-geral da ONU.

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