Sociedade

Covid-19: Milhares de pessoas no mercado do Kikolo aderiram aos testes em massa

Arcângela Rodrigues e Alexa Sonhi

Jandira Antunes, acompanhada da família, deslocou-se ontem ao mercado do Kikolo, em Luanda, para realizar o teste rápido da Covid-19. Ela estava entre os milhares de voluntários que compareceram para saber do seu estado serológico.

Os técnicos também estavam bem equipados, acompanhavam os voluntários desde a entrada, às mesas para recolha dos dados, testagem e entrega dos resultados.
Fotografia: Agostinho Narciso| Edições Novembro

Eram sete horas da manhã e o portão que dava acesso ao local, onde seriam realizados os testes, estava lotado. Enquanto aguardavam, a equipa técnica organizava o espaço e às oito horas deram início aos trabalhos. Estava tudo bem organizado, pessoas perfiladas. Antes de entrar, faziam a lavagem das mãos com água e sabão ou desinfectavam com álcool em gel.

Os técnicos também estavam bem equipados, acompanhavam os voluntários desde a entrada, às mesas para recolha dos dados, testagem e entrega dos resultados. À medida que se fazia a recolha dos dados, os técnicos procuravam saber dos utentes se tiveram contacto com pessoas que chegaram recentemente de viagem, se sentiam febres, dores de cabeça, entre outros sintomas.

Depois da entrega dos resultados, os técnicos recomendavam os utentes para a continuidade das medidas de prevenção contra a Covid-19.  Entre os primeiros testados, estava a família Antunes, que teve resultados negativos. Jandira Antunes revelou ao Jornal de Angola que tinha medo de fazer o teste da Covid-19. Mas depois de ser sensibilizada, por algumas pessoas, acabou por fazer.

“Depois deste resultado, devemos manter os mesmos cuidados de prevenção e incentivar os outros no cumprimento dos mesmos”, disse a jovem de 30 anos. Ela é moradora do município do Cazenga e gostaria que o Executivo dentro das possibilidades realizasse mais testes a nível daquela localidade, visto que há muitos casos positivos da Covid-19. 

Antónia Gombo, 55 anos, vende no mercado do Kikolo há 12 anos. Depois de receber o resultado do teste, saltava de alegria, pois o mesmo deu negativo. “Agora vou trabalhar à vontade, estou bem, mas não vou esquecer as medidas de prevenção contra a pandemia”, disse, realçando que também incentivou a família a fazer o exame.

Casos positivos

O director municipal da Saúde no Cazenga, Zola Messo, informou que, até às 10 horas, tinham sido realizados 300 testes rápidos da Covid-19, dos quais dois eram positivos. O responsável avançou que, face à demanda que se verificou no mercado do Kikolo, foram realizados 1.500 testes.  Quanto aos dois casos positivos, o director municipal da Saúde no Cazenga salientou que os utentes foram submetidos a um segundo exame para melhor apurar o resultado.

Ainda assim, os pacientes foram acompanhados para casa, onde terão de cumprir com as recomendações sanitárias, os contactos directos vão ser localizados e testados, caso haja alteração do quadro, serão internados.  A ministra da Saúde esteve no local, tendo seguido para o mercado do Quilómetro 30, onde também foram realizados testes. Sílvia Lutucuta manifestou a sua satisfação com o número de voluntários que se deslocaram ao mercado do Kikolo.

“A adesão é muito grande, isso significa que as pessoas estão interessadas em saber do seu estado de saúde”, disse a ministra, tranquilizando as mesmas que nem todos os resultados positivos significa que estão infectados. “É um indicativo que teve contacto com o vírus e a dada altura ganharam imunidade, em alguns casos podem manifestar doença activa”.

Mercado do Trinta

Já no mercado do Trinta, localizado no município de Viana, a previsão era testar mil cidadãos, entre vendedores e compradores. E até ao fim da manhã de ontem, não foi registado nenhum caso positivo da Covid-19. O administrador de Viana, Fernando Manuel, disse que a testagem em massa vai permitir determinar os índices da contaminação da Covid-19 no município, já que este faz parte da lista com registo de casos da pandemia nível da província de Luanda.

A ministra da Saúde disse que a testagem em massa nos mercados de Luanda vai continuar a ser feita onde há maior concentração de pessoas. Sílvia Lutucuta salientou que os resultados vão permitir aferir a real situação da doença na província de Luanda, no sentido de cortar a cadeia de transmissão.  “O teste rápido demora menos de 30 minutos até a obtenção do resultado e não dói nada. Por isso, as pessoas devem aderir aos testes em massa, sempre que notarem a presença dos técnicos de saúde”, exortou.

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