Sociedade

Covid-19: País com dois novos casos positivos e um recuperado nas últimas horas

Manuela Gomes e Xavier António

Mais dois novos casos positivos de Covid-19 e um recuperado foram registados, nas últimas 24 horas, no país, anunciou ontem, em Luanda, o secretário de Estado Para a Saúde Pública, Franco Mufinda.

Fotografia: Contreiras Pipa| Edições Novembro

Com estes dois novos casos, acrescentou, aumentam para dez o número de pessoas infectadas por Covid-19, sendo seis activos, dois recuperados e dois óbitos. Franco Mufinda, que falava em conferência de imprensa, explicou que os dois cidadãos, residentes Angola, regressaram ao país nos dias 17 e 20 de Março, provenientes de Portugal.  “Os dois são angolanos. Um está no centro da Barra do Kwanza e outro na Clínica Girassol”, explicou, acrescentando que os dois apresentam um quadro clínico assintomático.

Nesta altura, 1.919 pessoas estão em quarentena, dos quais 858 em quarentena institucional. O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) registou, até ontem, 163 chamadas telefónicas, cinco alertas de casos suspeitos, já investigados, 19 denúncias de violação da quarentena domiciliar.  Franco Mufinda anunciou que o país conta com mais 92 equipas para resposta rápida ao surgimento de casos suspeitos de Covid-19. “São técnicos de vigilância epidemiologia, laboratoriais, médicos clínicos e INEMA”, disse.

Encerrados 34
mercados informais

A Polícia Nacional procedeu nas últimas 24 horas o encerramento 34 mercados informais com destaque para o das Pedrinhas, Kikolo e Salinas, que se encontravam sem as condições favoráveis que vão desde o arruamento, espaçamento e higienização das mãos, assim como 48 estabelecimentos comerciais, no âmbito das orientações do Decreto Presidencial sobre as Medidas de Prevenção e Controlo da Pandemia Covi-19.
A informação foi avançada em conferencia de imprensa, pelo porta-voz dos Órgãos de Defesa e Segurança da Comissão Interministerial para Resposta ao Covid-19, subcomissário Waldemar José. "Neste momento a nível do país estão a funcionar apenas os mercados municipais que oferecem melhores condições", referiu.
Por isso, disse, contactos estão a ser estabelecidos junto dos administradores municipais no sentido de criarem todas as condições dos mercados informais desde. "Apelamos que a compreensão dos cidadãos que, quando as forças de defesa e segurança encerram um mercado está causa o interesse público, saúde pública", sublinhou.
Waldemar José explicou que é importante balancear entre colocar em causa 30 milhões de habitantes e eventualmente cinco mil vendedores de um mercado que não obedece o espaçamento e arruamentos, sendo que para estes casos a melhor decisão é o encerramento.

Detenções

Na ocasião, porta-voz dos Órgãos de Defesa e Segurança da Comissão Interministerial para Resposta ao Covid-19, indicou também que a nível do país procedeu-se a detenção nas últimas 24 horas de 87 cidadãos, dos quais 37 por desobediência, desacato e especulação. Entre as detenções destacam-se Luanda com 44, Benguela cinco, Bengo cinco, Luanda Sul uma, Cunene duas, Zaire nove, Huambo 10, Cuanza Sul seis, Cuando Cubango cinco e duas no Bié. "Foram apreendidas a nível do país 130 viaturas por não respeitarem o excesso de lotação, das quais 44 em Benguela, 21 Huambo, 20 em Luanda 24 no Uíje, 8 no Bié, cinco Bengo, quatro Moxico, três no Cuanza Sul, três na Luanda Norte e uma no Cuando Cubando.
As forças de defesa e segurança aprenderam em todo país 494 motorizadas que se encontravam no exercício da actividade de moto-táxi, sendo 122 em Benguela, 117 no Huambo, 55 em Luanda, 51 no Uije, 47 no Bié, 41 no Moxico, 17 na Luanda Sul, 13 no Bengo, 11 na Luanda Norte, 10 no Cuando Cubango e cinco na Luanda Sul. "A nível do país foram julgados 10 cidadãos sumariamente por desobediência as orientações emanadas".
Waldemar José realçou ainda que, no âmbito da operação das medidas de prevenção foi também aprendida uma arma de fogo, 31 botijas de gás, cujo comerciante estava a fazer a especulação de preços, 80 caixas de refrigerantes adulterados na província de Benguela, assim como foram executadas 53 interdições a nível das saídas e entradas nas fronteiras.
"Um outro caso é referente ao atropelamento de um tenente oficial das Forças Aramadas ocorrido no município de em Viana, em plena barreira policial quando este estava a coordenar as forças em que ordenou-se a paragem de um moto taxista, que não obedeceu e atropelou o tenente causando graves ferimentos na zona craniana.
"O moto taxista colocou-se em fuga e foi necessário a perseguição da polícia culminado com o a detenção do cidadão que será responsabilizado criminalmente nos próximos tempos", disse o oficial superior.
Apontou igualmente a detenção na província da Luanda Sul, de três toneladas de peixe que se encontravam em mau estado de conservação, mas que estavam a ser comercializadas naqueles condições.  Segundo o porta-voz foi detido um cidadão e será julgado nos próximos dias na província do Uíge que depois de ser orientado a regressar à casa e não obedeceu as ordens tendo arremessado uma pedra ao agente que se encontrava em serviço causando ferimentos graves.
Ainda na província do Saurimo na Lunda Sul, na via pública "as nossas forças orientaram que cidadãos que estavam numa "roulotte" a fazer o consumo de bebidas alcoólicas retornassem à casa, não houve obediência e em resposta arremessaram objectos contundentes forças de defesa, em reposta culminou com a detenção de alguns cidadãos.
"No mercado do Xicingue no Bié, um grupo de aproximadamente 15 motoqueiros que que não acataram as orientação das nossas forças para se retirarem do local e de seguida insurgiram-se contra as nossas forças, querendo desarmar forças de defesa e em resposta houve um disparo que atingiu a perna de cidadãos, estando a receber tratamento no hospital local", rematou.
Foram também duas cidadãs na Centralidade do Mussungue, no Dundu na Lunda Norte por essas não terem respeitado a ordem de paragem das forças de segurança, "tendo sido ofendido moralmente as nossas forças e de seguida partiram para a violência física".
A Polícia Nacional informou também a detenção de um cidadão vietnamiza que estava especular os preços da sua mercadoria falsificando uma factura do supermercado Afrimark dando conta que, os preços estavam mais inflacionados , razão pela qual também deveria fazer o ajuste das suas mercadorias.
"Esperávamos que neste período as nossas celas tivessem mais preenchidos com aqueles que criminosos tradicionais, mas estamos a verificar o contrário. A desobediência civil é que faz com que muita gente seja detida e julgada sumariamente", precisou Waldemar José.

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