Sociedade

Crianças vítimas de abuso dão sempre sinais aos pais

Kilssia Ferreira

Os especialistas devem estar mais atentos aos sinais apresentados, nas consultas, por pacientes vítimas de violência doméstica, alertou, ontem, em Luanda, a médica urologista Florinda Miranda.

A médica deu conselhos úteis aos pais com filhos menores
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

A urologista, que falava num seminário sobre a violência doméstica, realizado no Memorial Dr. António Agostinho Neto, revelou que, no grupo das vítimas da violência doméstica, a maioria que procura ajuda especializada são as vítimas de violência sexual.
Quando falava das características das vítimas, a médica recomendou aos pais a prestarem mais atenção aos desenhos que os filhos fazem, porque podem descrever, no papel, a situação que têm vivido.
A urologista acrescentou que, quando um criança assiste a brigas dos pais, pode descrever a violência doméstica através dos desenhos, podendo desenhar uma senhora a chorar, procurando assim levar para o papel o sofrimento da mãe.
As crianças vítimas de violência apresentam, do ponto de vista clínico, características de  isolamento, têm pouco contacto visual, ficam encolhidas e, quando não querem ir a certos lugares, apresentam desculpas ou fazem birra. 
A médica alertou as mães para vestirem as meninas de forma mais adequada e medirem sempre os riscos se decidirem deixá-las em casa de alguém ou com uma pessoa mesmo conhecida.
Relativamente às mulheres vítimas de violência doméstica, Florinda Miranda disse que algumas têm tendência de ficar mais tempo na rua e outras preferem ficar a maior parte do tempo no local de trabalho.
O psicólogo clínico  Cleonício Bravo da Rosa afirmou  que a violência  doméstica  pode ser  prevenida se o Executivo investir mais na educação e garantir melhores condições de vida à população, a fim de as crianças crescerem num meio saudável. 
O psicólogo afirmou que os investimentos feitos até hoje na educação têm sido mal direccionados e insuficientes, daí ser necessário saber  identificar, com clareza,  os resultados desejados e dar o passo adequado, uma pretensão que pode ser materializada se o cidadão for cada vez mais exigente para com o Estado.   
 O seminário foi realizado com o objectivo de ampliar os conhecimentos das pessoas em  torno da necessidade de consciencialização e de mostrar à sociedade  que o infractor pode e deve responder criminalmente se as vítimas denunciarem.

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