Sociedade

Defendida mais legislação em prol dos seropositivos

O representante em Angola do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Sistema das Nações Unidas defendeu, na quinta-feira, em Luanda, a necessidade da criação de uma base legal para a defesa dos direitos das pessoas portadoras do VIH/Sida.

Pier Balladelli advogou a medida durante a cerimónia de assinatura de dois novos acordos de financiamento entre o Ministério da Saúde e o Fundo Global das Nações Unidas, no valor de 60 milhões de dólares norte-americanos, a ser disponibilizado por esse órgão da ONU para o reforço, durante os próximos dois anos, da luta contra as doenças endémicas, nomeadamente o VIH/Sida e a malária. 
O responsável disse que 30 milhões desse valor serão aplicados no combate ao VIH/Sida, nomeadamente na compra de anti-retrovirais e testes e no trabalho de uma produção legislativa, no sentido da criação de um contexto legal em que os seropositivos vejam respeitados os seus direitos de uma forma mais abrangente.
Pier Balladelli apontou como grande novidade do financiamento do combate ao VIH/Sida, em Angola, o trabalho com grupos de pessoas que já estejam numa fase avançada da doença. Outra das novidades, acrescentou, serão as campanhas de sensibilização sobre os riscos e formas de prevenção do VIH/Sida dirigidas a homossexuais e a agentes da Polícia Nacional e dos Serviços Prisionais. 
O secretário executivo da Rede Angolana das Sociedades de Serviços da Sida (Anaso), António Coelho, fez saber que, a nível nacional, se precisa de cerca de cem mil kits de tratamento, tendo em conta que são registadas diariamente cerca de 75 novas infecções. Acrescentou que diariamente morrem, no país, entre 20 e 25 pessoas vítimas do VIH/Sida.
Segundo António Coelho, o país regista cerca de 88 mil pessoas a viverem com VIH/Sida, metade das quais não beneficia de terapia. Sobre o acordo de financiamento entre o Ministério da Saúde e o Fundo Global das Nações Unidas, o responsável referiu que vai permitir reduzir as dificuldades do país no tocante ao combate ao VIH/Sida, visto que 60 por cento do seu valor vão para a compra de anti-retrovirais e 40 por cento para as   campanhas de aconselhamento à população.
O Hospital Esperança, em Luanda, continua a ser o principal centro de atendimento e tratamento dos seropostivos no país, concentrando a maioria dos recursos humanos e técnico-materiais especializados no combate ao VIH/Sida.

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