Sociedade

Desalojados do Baleizão já têm novas casas no Zango 4

Nilza Massango

As famílias desalojadas do edifício Seiscentista do Baleizão receberam casas definitivas, ontem no Zango 4, no município de Viana, em Lu­anda, quase 60 dias depois de permanecerem na rua e terem rejeitado as tendas inicialmente postos à disposição no Bairro da Paz, Distrito Urbano do Ngola Kiluanje, município do Sambizanga.

Momento em que os ex-moradores colocavam os haveres em camiões com destino ao Zango
Fotografia: Santos Pedro| Edições Novembro

Uma fonte ligada ao processo de transferência dos desalojados não garantiu se as casas serão entregues na totalidade das 16 famílias, número avançado pelas autoridades (mas os moradores diziam ser 24) que residiam naquele edifício, ou não, mas afirmou que o acto “é o culminar de um longo processo” que opunha aqueles cidadãos e a Administração do Distrito Urbano da Ingombota, a responsável pelo desalojamento.
Durante cerca de 60 dias, os moradores fizeram um finca pé, tendo rejeitado categoricamente as três tendas postas à disposição, onde deviam ser albergadas 190 pessoas, do conjunto de 16 famílias desalojadas que alegavam tratar-se de “condições desumanas” o local escolhido que não “tem água potável, saneamento básico e segurança”.
Até ontem às 17 horas, quatro dos seis camiões disponibilizados pela Comissão Administrativa da Cidade de Luanda estavam carregados de haveres pertences às 16 famílias rumo ao Zango 4 e havia também disponível um autocarro para o transporte das pessoas.
Um dos ex-moradores do Baleizão disse ao Jornal de Angola que os contemplados “só viram as futuras moradias pelas fotografias”, tendo referido que alguns acharam “as casas do tipo T2 pequenas, sem cozinhas”.
Entre os contemplados, alguns mostram alegria por ganharem um teto novo, mas outros reclamavam. É o caso de Alberto Madeira que achou injusto a sua família, de seis membros, receber apenas uma casa, “quando cada um devia beneficiar da sua”.
“Somos da mesma família, vivíamos no mesmo edifício, mas cada um com o seu teto”, disse o jovem, que acrescentou que um vizinho que tinha apenas uma família recebeu duas casas.
A transferência para o Zan-go 4 foi acompanhada pela Polícia Nacional, Bombeiros, directores e funcionários da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda que se recusaram a prestar declarações.

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