Sociedade

Descoberto gene que controla infecção alimentar mortífera

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) descobriram o gene responsável pelo processo infeccioso da listeriose, uma infecção de origem alimentar que “mais mortes causa actualmente na Europa”.

Fotografia: Edições Novembro

Com sintomas semelhantes aos de uma gripe, esta infecção, cujo tratamento é realizado com antibióticos e pode demorar vários meses, “embora desconhecida para a maioria, tem uma taxa de mortalidade muito grande, de cerca de 20 por cento”, disse à agência Lusa o investigador do i3S Didier Cabanes, coordenador do estudo.
De acordo com o instituto de investigação, as bactérias patogénicas dependem de um conjunto de genes que determinam o seu grau de patogenicidade, ou seja, a sua capacidade para infectar com sucesso o hospedeiro.
Esses genes estão relacionados com funções cruciais, como a capacidade de invasão, de aproveitamento nutricional ou de enganarem o sistema imunológico do hospedeiro. Quando “estão num ambiente onde não necessitem desses mecanismos de infecção”, os mesmos mantêm-se inactivos, porém, ao entrarem num novo ambiente, como o organismo humano, "activam um conjunto de cadeias reguladoras a nível genético para rapidamente responderem às novas condições", informou o i3S.
Neste estudo, que deu origem a um artigo publicado na revista académica “Nucleic Acids Research”, a equipa descobriu que é o gene denominado MouR que determina a patogenicidade da bactéria “Listeria monocytogenes”, responsável por causar a listeriose.
Este gene é responsável por “uma adaptação radical da bactéria” ao organismo que, além de desencadear um conjunto de mecanismos que lhes permite enganar o sistema imunológico e estimular a capacidade proliferativa da bactéria, tem a capacidade de formar biofilmes no trato intestinal humano.

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