Sociedade

Dezasseis falsos licenciados foram descobertos na Saúde

Rodrigues Cambala

A Inspecção-Geral da Saúde (IGS) apreendeu, no quadro da “Operação Resgate”, seis toneladas de medicamentos contrafeitos e falsificados, bem como detectou 16 licenciados de enfermagem da rede pública e privada que trabalhavam com documentação falsa.

Miguel de Oliveira apresentou ontem o balanço da inspecção realizada no Sector da Saúde
Fotografia: VIGAS DA PURIFICAÇÃO| EDIÇÕES NOVEMBRO

Emconferência de imprensa, realizada ontem, o Inspector-Geral da Saúde, Miguel de Oliveira, afirmou que esses enfermeiros exerciam a actividade sem habilitações para o efeito, mas com documentação atestada pelas instituições afins.
“As entidades reconheceram como verdadeira a documentação, porque foram induzidas em erro. Os documentos saíram das próprias universidades. Havia já uma máfia organizada nas instituições, que informava ser verdadeiro o certificado, sem passar pelos responsáveis das universidades”, esclareceu, informando que os falsos técnicos de saúde foram demitidos do sistema de saúde de Angola.
A inspecção retirou do mercado dois tipos de medicamentos contrafeitos, designadamente Black Cobra e Nevegra. Os 3.900 comprimidos estão, nesta altura, proibidos de ser importados e comercializados, por apresentarem uma dosagem acima das normas previstas internacionalmente.
“A dosagem e recomendação diária destes medicamentos devem ser de 50 mg e 100mg e não 150 mg”, disse, referindo que o remédio usado no tratamento de  disfunção eréctil não pode ser consumido por colocar em risco a saúde.
A IGS visitou mais de cem estabelecimentos e detectou pessoas que exerciam actividades sem a devida formação, medicamentos sus-
peitos de contrafacção e mal conservados, problemas de infra-estruturas e de más práticas farmacêuticas.
Durante a operação, o IGS apreendeu cinco toneladas de medicamentos, que aguardam pelos resultados das amostras entregues ao laboratório.
“Estamos a trabalhar no sentido de aferir as amostras recolhidas. Se o laboratório concluir que os medicamentos são contrafeitos serão inutilizados”, salientou.
Caso o resultado atestar que os medicamentos foram falsificados ou contrafeitos, os importadores e distribuidores vão ser responsabilizados administrativa e criminalmente, e encerrados os estabelecimentos.
A IGS visitou 46 estabelecimentos comerciais em Luanda, 17 em Cabinda, 17 no Cuanza- Sul, 58 na Huíla, 21 no Huambo e oito na Lun-da-Sul. As vistorias decorreram em padarias, unidades sanitárias privadas e restaurantes. Nestes locais foram constatados a existência de infra-estruturas que carecem de adequação, incumprimento de boas práticas sanitárias e a falta de boletins de sanidade. Foi, ainda, embargada a obra de uma farmácia, por transgredir as normas estabelecidas.
A lei angolana, sublinha, obriga que todo o indivíduo que trabalha com alimentos deve possuir atestado de sanidade, uma vez que não pode ser portador de doença, para que não coloque em risco a saúde dos consumidores.

Medicamentos
desviados da Zâmbia
A Inspecção-Geral da Saúde (IGS) continua preocupada com as províncias que fazem fronteira com a República Democrática do Con-
go (RDC), Zâmbia e Namíbia, por serem pontos de en-trada de medicamentos e bens de consumo.
Em relação à Zâmbia, Miguel de Oliveira afirmou que, com a circulação do comboio, que interliga os dois países, observa-se a entrada de medicamentos desviados, consignados pelo Ministério da Saúde da Zâmbia.
“São fármacos desviados, que entram no circuito comercial do país, causando danos económicos a Angola, porque o importador nacional não consegue vender em função de quem desviou de um outro país”, explicou.
O Inspector-Geral da Saú-de disse que ainda não está comprovado se tais medicamentos, vindos da Zâmbia, sejam falsificados.
A IGS encerrou, há dias, um depósito de venda de medicamentos fabricados na RDC. A fábrica congolesa não está certificada pela Or-ganização Mundial da Saú-de (OMS).
“Não estando certificada, não está habilitada para exportar medicamentos. Esses medicamentos entravam pela fronteira”, indicou.
Ao referir que foram en-contrados funcionários em restaurantes com boletins de sanidade falsos, Miguel de Oliveira salientou que a presença de vectores e insectos nos espaços comerciais é ex-tremamente perigosa para a saúde do consumidor.
O inspector acrescentou que as pessoas devem realizar desinfestação regular nos seus estabelecimentos comerciais.

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