Sociedade

Discentes dizem-se impedidos de transitar por falta de sala

César Esteves |

Setenta e dois estudantes, do segundo ano, do curso de Engenharia Civil, da Faculdade de Engenharia, da Universidade Agostinho estão impedidos de transitar para o terceiro ano, supostamente por alegada falta de sala, soube o Jornal de Angola junto dos discentes afectados.

Os estudantes dizem desconhecer os métodos de correcção de provas usados pelo docente
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

De acordo com os estudantes, a sala do segundo ano, onde estudam, localizada no Pólo Universitário da Camama, alberga 80 alunos e a do terceiro ano, que fica na sede da Faculdade, na zona do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, dispõe de uma capacidade de apenas 20.
Para contornar a situação, disseram os estudantes, a direcção da faculdade orientou o professor Manuel Quiala Ngombo, que lecciona a cadeira de Mecânica 1, a não deixar passar na cadeira que lecciona, que é chave do curso, um número de estudante que ultrapassa a capacidade da sala do terceiro ano.
“A ideia, pelo que conseguimos notar, é aprovar apenas um número que não foge à capacidade da sala do terceiro ano, que é só de 20 alunos”, disseram.
Os estudantes, que afirmaram dominar 80 por cento da matéria da cadeira, dizem não entender como ainda assim são reprovados. “Pedimos ao professor para nos mostrar a prova, a fim de vermos onde erramos, mas este não aceita”, disseram.
Os alunos dizem não conhecer os métodos de correcção usado pelo professor e as provas não trazem cotação. “Ele não nos mostra a chave para sabermos como devíamos fazer. Ficamos sem norte”, lamentaram os estudantes, para acrescentar que o docente não lhes permite apresentar reclamação. Os aspirantes à engenheiro disseram que até ao momento já foram reprovados no exame normal e no recurso, encontrando-se, agora, a aguardar apenas pelo exame especial, que constitui a última oportunidade para eliminar a cadeira e, com isso, transitar para o terceiro ano.
Os estudantes deram a conhecer que, ao todo, estão condicionados nessa disciplina 72 alunos. “Se voltarmos a reprovar no exame especial, vamos ser obrigados a ficar um ano em casa para fazer apenas essa cadeira. Isso nos deixa desmotivado e pode fazer com que deixemos de estudar, e dai aumentar a nossa frustração”, lamentaram.
Aquele grupo de estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto refere não serem os únicos a passar por esse dilema, pois mais colegas que, actualmente frequentam o 4º e o 5º ano, também passaram pela mesma situação e na mesma cadeira do referido professor.
“O que nós queremos, é que o professor coloque a cotação nas provas e nos permite vê-las, para que possamos saber onde erramos e, com isso, melhorar. Não conseguimos saber por que razão fomos reprovados. Por isso, gostaríamos que o docente respeitasse os parâmetros recomendados pela pedagogia”.

Decana nega denúncia
A decana da Faculdade de Engenharia da UAN, Alice de Almeida, disse ao Jornal de Angola, não corresponderem à verdade as declarações avançadas pelos estudantes.
Segundo a decana, outros motivos devem estar em causa para que os alunos sejam reprovados nessa cadeira. Alice de Almeida descartou qualquer possibilidade de haver uma orientação da parte da direcção da Faculdade de Engenharia para impedir que aprovem para o terceiro ano um número de alunos inferior a 20.
“Não é por questão de espaço, pois é nossa obrigação encontrar uma solução, caso nos deparássemos com essa situação. Nem que a solução fosse pôr duas turmas a funcionar, algo que já chegou a acontecer no curso de Engenharia Mecânica, que é  o curso que recebe mais estudantes”, disse.
Para Alice de Almeida, em causa deverá estar uma suposta má preparação dos estudantes, facto que leva com que muitos sejam sistematicamente reprovados nessa cadeira.
“O aproveitamento dos estudantes nas cadeiras de especialidade é baixo. Eles vêm mal preparados. Isso até tem feito com que, muitas vezes, admitamos estudantes com negativas, na altura dos exames de acesso”, esclareceu a decana.
Apesar de tudo isso, Alice de Almeida admitiu não estar satisfeita com o elevado número de alunos reprovados na cadeira de Mecânica 1. Por essa razão, avançou, a direcção da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto está a analisar o caso.

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