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Doença do sono não é apenas um distúrbio

Uma equipa internacional de cientistas, incluindo uma portuguesa (Luísa Figueiredo), concluiu, numa experiência com ratinhos, que a doença do sono, uma doença infecciosa letal em África, não é apenas um distúrbio do sono.

Portuguesa Luisa Figueiredo está entre os cientistas
Fotografia: AFP |

Segundo o estudo, publicado na revista Nature Communications, a Tripanossomíase Humana Africana, vulgarmente conhecida como doença do sono, “resulta de um distúrbio do ritmo circassiano, causado pela aceleração dos relógios biológicos que controlam diversas funções vitais, além do sono”, refere um comunicado do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, em Lisboa.
A doença do sono, que “ameaça dezenas de milhões de pessoas nos países da África Subsariana”, é transmitida pela picada da mosca tsé-tsé, infectada com o parasita “Trypanosoma brucei”.
Para Luísa Figueiredo, citada no comunicado, a doença “não é especificamente um distúrbio do sono”.
O trabalho de investigação, que resulta de uma colaboração entre o laboratório da cientista portuguesa e o do investigador Joseph Takahashi, da Universidade de Southwestern, nos Estados Unidos, revela que o relógio biológico dos ratinhos infectados “avança mais rapidamente, o que leva a uma inversão dos ciclos do sono e a uma anormalidade hormonal e na temperatura corporal, semelhante ao que se observa em doentes com a doença do sono”.
Face aos resultados obtidos na experiência, será necessário saber em diante, de acordo com Luísa Figueiredo, o que altera o ritmo do relógio biológico na doença do sono.
“Será uma secreção do parasita ou uma molécula produzida pelo hospedeiro em resposta à infecção? Conhecer a fonte irá ajudar-nos a ter um melhor entendimento da doença e potencialmente bloquear os efeitos”, afirmou, citada pelo Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes.

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