Sociedade

Doenças neurológicas são fruto da evolução

Cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém compararam o material genético de neandertais e do homem moderno e chegaram à conclusão de que a evolução pode estar ligada ao surgimento de transtornos psiquiátricos e neurológicos.

A resposta a esses males da modernidade pode estar nas diferenças dos níveis de metilação (modificações químicas do ADN), que foram maiores nos neandertais.
“Uma vez que muitas diferenças morfológicas entre os grupos humanos podem ser atribuídas à diferença na regulação dos genes, continuamos à procura de informações sobre a regulação de genes no ADN antigo”, destaca Liran Carmel, uma das autoras do estudo e professora do Departamento de Genética da Universidade Hebraica de Jerusalém.
“Nós baseamo-nos num outro trabalho que desenvolveu um protocolo semelhante a partir de amostras antigas”, acrescentou Liran Carmel,
Os pesquisadores compararam pedaços de ossos antigos com o material genético do homem moderno e encontraram cerca de duas mil regiões metiladas a mais nas amostras pré-históricas. De acordo com os cientistas, essa divergência pode explicar mudanças nas formações de membros do corpo humano moderno. “Os nossos dados sugerem que essas diferenças podem ser explicadas pelas alterações na actividade dos genes HOXD9 e HOXD10, que estão ligados a alterações de membros da morfologia óssea que influenciaram na estruturação do corpo”, explica Liran Carmel.

Outra descoberta


Outra descoberta do estudo é a de que, nas áreas mapeadas com maiores diferenças na metilação em seres humanos modernos, há um aumento de cerca de duas vezes da possibilidade de existência de genes relacionados com doenças neurais, o que facilita a propensão do homem moderno a ter problemas psicológicos e neurológicos. “Relatámos que os genes, cuja actividade tinha mudado recentemente ao longo da linhagem, podem ter levado os seres humanos a ser mais propensos a essas doenças.
Combinando isso com o facto de muitos desses genes serem expressos também no cérebro, essa constatação levanta a hipótese de os genes, cuja actividade mudou recentemente no nosso cérebro, também estarem relacionados com doenças mentais”, detalha Liran Carmel.

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