Sociedade

Doentes atendidos por telemedicina

Augusto Cuteta |

Doentes assistidos em unidades sanitárias sem determinadas especialidades médicas, localizadas em qualquer parte do país, vão passar a ser atendidos à distãncia e em tempo real, por via do sistema de telemedicina, anunciou, ontem, em Luanda, o director do Gabinete de Tecnologias de Informação do Ministério da Saúde.

Director da área de Tecnologias de Informação do Ministério da Saúde apresentou projectos do sector
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Walter Paulo, que fez o anúncio durante o “Encontro para a definição de projectos prioritários para a agenda em-presarial e de inovação 2018-2022”, organizado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, assegurou que o projecto-piloto vai ser lançado, em breve, na província do Huambo.
O director avançou que, neste momento, o Ministério da Saúde tem as condições criadas para o arranque do projecto, que deve chegar a todas as províncias num período de quatro anos.
“Esse projecto, que vamos lançar em breve e fazer a sua massificação em três anos, vai aproximar os serviços cada vez mais aos pacientes”, assegurou o director Walter Paulo.
O responsável acrescentou que já existe tecnologia, resultante de uma parceria com o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e a Infrasat, equipamentos e os locais para o atendimento na província-piloto (Huam-bo), cujos estabelecimentos de Saúde vão trabalhar com os hospitais pediátrico David Bernardino e Américo Boavida,  ambos de Luanda.
A formação contínua dos técnicos também está assegurada, uma vez que essas parcerias estão a dar outra dinâmica ao projecto, disse o director do Gabinete de Tecnologias de Informação do Ministério da Saúde.
Walter Paulo esclareceu que o mecanismo vai funcionar no sistema de tela, instalada nos dois lados. Com isso, um doente de Longonjo (Huambo) pode ser assistido, em tempo real, por um mé-dico do Hospital Américo Boavida (Luanda), auxiliados por uma tecnologia do tipo vídeo-conferência.
Além do contacto na hora com o paciente, a telemedicina permite que o médico visualize os resultados das análises, medir a pressão arterial, observar uma radiografia ou outro exame e tomar decisões em função do quadro do doente.
Com esse projecto de inovação, que se junta a um outro que tem a ver com registo electrónico de utente, o Ministério da Saúde pretende reforçar a prestação de serviços de dados ao cidadão, que é lançado dentro de cinco meses e para ser concluído em cinco anos.
Outro projecto prioritário do Ministério da Saúde a nível da inovação está relacionado com o mapeamento sanitário do país, que permitirá que, em tempo real, informações sobre pacientes, doenças, medicamentos e outras situações reais e particulares de uma unidade de saúde sejam percebidas por todo o sistema nacional.
Além deste, até 2022, pretende-se a nível das tecnologias e inovação a implementação do projecto “Cartão do utente”, para possibilitar que um paciente tenha um seguimento durante toda a vida, a partir de informações constantes nesse dispositivo.
Há ainda o projecto de monitorização e avaliação via telemóvel, para gerar um sistema de alerta de saúde, por exemplo, sobre os dias de consulta, a hora da toma dos medicamentos, entre outros aspectos que tocam a vida do cidadão e do seu estado de saúde.
Para promover a eficácia, eficiência e transparência na gestão administrativa do sector, Walter Paulo revelou ainda que o sector da Saúde vai  lançar o programa de formação do Gabinete de Tecnologias de Informação e o “Intranet Minsa”, dentro de seis meses. Além desses programas, no quadro da comunicação preventiva com o cidadão, o Ministério da Saúde pretende criar o “Portal de Saúde”.

Tomada de decisões 
   
Walter Paulo explicou que, no sector da Saúde, a informação deve ser entendida como redutor de incertezas, instrumento para detectar focos prioritários, conhecimento da realidade socioeconómica, demográfica e epidemiológica, propiciando o planeamento, gestão, organização e avaliação nos vários níveis do Sistema Nacional de Saúde, fazendo com que acções sejam realizadas no sentido de condicionar a realidade às transformações necessárias.
Por isso, salientou que o processo de gestão do sector exige a tomada de decisões de alta responsabilidade e relevância social.
As informações podem funcionar como um meio para diminuir o grau de incerteza sobre determinada situação de saúde, apoiando o processo de tomada de decisões.
“Devemos  ter  clareza  de  que o que sustenta estas  decisões são os valores, os fundamentos, os pressupostos, a visão de mundo e,  particularmente, a  concepção  de modelo de atenção à saúde daqueles envolvidos no processo de gestão do sector da Saúde”, realçou o responsável.
Walter Paulo considerou que a informação em Saúde não se refere somente à produzida pelo sector,  uma vez que dados relacionados com a qualidade de vida são importantes para a avaliação do nível de saúde da população, entre os quais condições demográficas, alimentação, educação, condições de trabalho e de emprego, transporte, mora-dia, saneamento básico, lazer  segurança e a acesso aos serviços de Saúde.

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