Sociedade

Escritor Pepetela afirma ser contra o Acordo Ortográfico

César Esteves

Pepetela afirmou não se sentir confortável com o facto de as suas últimas obras terem sido editadas à luz do Novo Acordo Ortográfico, “uma incongruência” que espera ver que seja corrigida por ser membro da Academia Angolana de Letras.

Livros de Pepetela sempre estiveram entre os mais lidos no país
Fotografia: EDIÇÕES NOVEMBRO

A opinião do escritor foi feita ao Jornal de Angola que o abordou depois de a Academia Angolana de Letras ter divulgado uma declaração, de seis pontos, na qual disse não ser a favor da adesão de Angola ao Acordo Ortográfico por ser um instrumento que não promove a unificação da grafia da língua portuguesa e por não convergir para a promoção e difusão das línguas nacionais.
A curiosidade jornalística levou o Jornal de Angola a Pepetela, presidente da Mesa de Assembleia Geral da Academia Angolana de Letras, por o seu último livro intitulado "Sua Excelência de Corpo Presente", editado de acordo com o Acordo Ortográfico, ter sido lançado na mesma altura da divulgação da declaração da Academia, que se afirma contra a ratificação por Angola do Novo Acordo Ortográfico.
Pepetela disse ao Jornal de Angola que, embora os seus livros estejam na versão resultante do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, também não é a favor do novo acordo.
“(...) As línguas evoluem, mas eu não apoio essa nova versão”, afirmou Pepetela, para quem “a anterior versão é melhor”. Aliás, adiantou, “essa foi sempre a minha posição”. Pepetela esclareceu que escreve em português falado em Angola, mas a editora portuguesa publica os seus livros na actual versão do português falada em apenas quatro países lusófonos, com excepção de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste.
O escritor Pepetela referiu que fica menos onerosa a publicação de livros na nova versão do português do que na anterior. “Fazendo uma edição especial só para Angola fica mais caro”, acrescentou o escritor.
À pergunta sobre se pensa trocar de editora, para  os seus livros serem editados em português falado e escrito em Angola, o escritor respondeu que tem de discutir com a editora para saber quanto pode custar a impressão de livros na versão falada em Angola para ver se compensa.
"Não me sinto bem vendo os meus livros na versão actual da língua portuguesa. Sinto-me mal, mas que fazer?"

Tempo

Multimédia