Sociedade

Estudantes exigem autocarros escolares

Victor Mayala e Fernando Neto | Mbanza Kongo

As reclamações apresentadas por alunos da escola do II ciclo do ensino secundário do Tuku, a 12 quilómetros da cidade de Mbanza Kongo, devido ao défice de transportes públicos, foram atendidas pelas autoridades com o reforço da frota de seis para nove autocarros.

A frota de autocarros aumentou mas a população de Mbanza Kongo ainda não está satisfeita
Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Congo | Edições Novembro


As reclamações foram despoletadas no dia seis, tendo o assunto se tornado viral nas redes sociais com alguns cidadãos, sobretudo estudantes, a defenderem a existência de transportes escolares. Na reacção às reclamações, o Governo Provincial do Zaire justificou, num comunicado, que a circulação deficiente de autocarros foi resultante também da escassez de combustível que a região registou nos últimos dias.
As reclamações de alunos surgiram devido à superlotação de autocarros, com alunos e camponeses, constatada por agentes reguladores de trânsito destacados no Posto de Fiscalização e Prevenção Rodoviária de Nkunga Paza, onde foi impedida a continuação da viagem rodoviária.
A posição da Polícia de Viação e Trânsito não agradou aos alunos que, depois de um alvoroço registado, decidiram dirigir-se à sede do Governo Provincial do Zaire, onde apresentaram verbalmente as reclamações sobre um assunto que os aflige diariamente na viagem de e para a escola.    
As reclamações de alunos vieram à luz dois meses depois de a província do Zaire ter recebido, em Agosto, uma frota de 30 autocarros, distribuídos a seis empresas privadas de transportes públicos. O director interino dos Transportes, Correios e Telecomunicações na província do Zaire, Francisco Isabel, informou ao Jornal de Angola que “a tarefa desses autocarros é assegurar o transporte urbano, intermunicipal e interprovincial” e a prioridade é apoiar os alunos de escolas situadas longe das áreas residenciais. Sobre as reclamações apresentadas pelos alunos do Tuku, Francisco Daniel Isabel esclareceu que não se tratava propriamente de falta de meios de transportes, mas sim devido à posição compreensível de agentes da Polícia de Viação e Trânsito, que, no cumprimento da lei, impediram a passagem de autocarros com excesso de lotação, o  que provocou a revolta dos alunos.   
O responsável disse não ser correcta a informação veiculada nas redes sociais de que há falta de autocarros para os alunos da escola do Tuku. Francisco Daniel Isabel lembrou que, anteriormente, operavam na rota do Tuku seis autocarros, número aumentado para nove, actualmente.
No documento, o Governo Provincial do Zaire  reitera o compromisso de continuar a interagir e dialogar com todos aqueles comprometidos com a causa do desenvolvimento da região.
Quem também reagiu foi a Polícia  que, num comunicado, confirmou que “agentes reguladores de trânsito interpelaram e impediram a marcha dos autocarros por constatarem excesso de lotação.” O documento do Comando Provincial da Polícia Nacional sublinha que, de forma pedagógica, aconselhou os motoristas a reduzirem a lotação dos autocarros, para prevenir situações anómalas.
O director da escola do II ciclo do ensino secundário, Pedro Guilherme Raio, anunciou que a escola criou círculos de interesse para a sensibilização de alunos em cada turma sobre a conduta dentro e fora da instituição escolar. A escola dispõe de dois mini-autocarros destinados ao transporte dos professores, ao passo que os alunos dependem da rede de transportes públicos.
Alunos contactados pelo Jornal de Angola disseram que tem sido um autêntico “Deus nos acuda” chegar à escola, porque o número de autocarros continua reduzido, uma vez que os lugares são disputados com os camponeses da região.

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