Sociedade

Exames para este ano lectivo estão suspensos

Edivaldo Cristóvão

Os exames nacionais previstos para este ano lectivo (2019) estão suspensos, por questões socioeconómicas, segundo informou o Ministério da Educação, numa nota chegada à nossa redacção.

Alunos da 6ª, 9ª e 12ª classes, a nível nacional, não vão fazer exames por decisão do Ministério
Fotografia: Edições Novembro

O Ministério da Educação alega que os constrangimentos vividos na preparação dos exames nacionais levaram a suspender a referida actividade, a julgar pelo contexto socioeconómico e questões de natureza geo-demográficas do país, que não permitiram que se criassem, dentro do tempo previsto, todos os pressupostos para a reactivação do processo.

Segundo o Ministério da Educação, a Comissão Nacional vai continuar com os trabalhos técnicos, em articulação permanente com os directores dos gabinetes provinciais da Educação, autoridades locais e tradicionais, parceiros sociais e a sociedade em geral, tendo em conta que “os exames nacionais configuram um acto de afirmação e identidade nacional em que todos se revêem”.
Neste sentido, compete aos gabinetes e secretarias provinciais da Educação operacionalizar o processo de avaliação de aprendizagens dos alunos nas classes terminais, nos mesmos moldes em que vêm sendo realizadas ao longo dos últimos anos lectivos.
Os exames nacionais são destinados a alunos das classes de transição, designadamente, 6ª, 9ª e 12ª classe. Esse processo, já existia no sector da Educação, até finais dos anos 80, tendo sido interrompido devido ao período de guerra que o país atravessou.
Para o presente ano lectivo, o Ministério da Educação conta com 10 milhões 608 mil 415 alunos do I e II ciclos do Ensino Geral.

Decisão contestada
A decisão da suspensão dos exames nacionais é considerada uma “medida pesada”, que põe em risco a credibilidade e a confiança do sistema de ensino no país, segundo o presidente da Associação Nacional do Ensino Particular (ANEP).
António Pacavira disse, ontem, ao Jornal de Angola, que a medida foi uma demonstração de incompetência da organização, por ter sido comunicada três semanas antes do encerramento do ano lectivo.
“Tivemos várias reuniões em que o Ministério sempre deu garantias de que os exames nacionais seriam realizados. Tudo tem de ser planificado. A medida foi pesada, pelo menos deviam ser salvaguardados os exames da 12ª, porque eleva os alunos até à universidade”, considerou.
O presidente da ANEP referiu que a retirada dos exames nacionais faz baixar a qualidade do sistema de ensino, numa altura em que se pretende chegar ao mais alto nível. A decisão demonstra que o Ministério da Educação não tem consideração pelos encarregados de educação, alunos e parceiros.
O Jornal de Angola tentou, ontem, ouvir reacções de outras entidades ligadas à classe de educação e ensino no país, como é o caso do Sindicato dos Professores (SINPROF), mas todos os esforços saíram gorados, por indisponibilidade dos responsáveis contactados.

 

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