Sociedade

Executivo dá prioridade à promoção de valores morais

Marcelo Manuel | Dondo

A ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Faustina Inglês de Almeida, defendeu, ontem, na cidade do Dondo, província do Cuanza-Norte, a necessidade de as famílias angolanas continuarem a ser as fiéis depositárias da nobreza social, promovendo valores como o respeito mútuo, amor, perdão e consolidação da paz.

Ministra Faustina Inglês de Almeida ontem no Dia Internacional da Família no Dondo
Fotografia: Marcelo Manuel | Edições Novembro | Dondo

Falando durante a abertura do Conselho Nacional da Família, que coincidiu com os festejos do Dia Internacional da Família, sob o lema, “A moralização da sociedade começa na família”, Faustina Inglês de Almeida disse que esse núcleo da sociedade deve ser a principal promotora de acções educativas contra o sentimento de ódio, preconceito e vingança.

Para Faustina Inglês de Almeida, o estado de saúde mental de alguns membros de famílias angolanas é motivo de preocupação para o Executivo, porque pode no futuro comprometer os princípios de identidade nacional e a coesão entre os angolanos.
Frisou que o reforço do sentimento patriótico e de unidade nacional é factor essencial de afirmação da cultura e identidade de angolanidade, tendo sublinhado que o bem-estar dos agregados familiares teve sempre uma particular importância no desenvolvimento de boas práticas, como o diálogo e a transferência de competências de liderança familiar e social.
“A família sempre foi e deve continuar a ser o santuário da vida, o nosso porto seguro e o bem maior de todos”, disse. Fez saber que o bom relacionamento familiar é a principal arma de combate às drogas, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, gravidez e casamento precoces. Sublinhou que o seu pelouro vai continuar a trabalhar no sentido de materializar programas e projectos que propiciem a edificação e a estabilidade das famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade.


País tem muitas famílias bem estruturadas

O reverendo da Igreja Metodista Unida em Angola, Adilson de Almeida, disse que existem no país famílias bem estruturadas e organizadas, constituídas de acordo com as regras sociais, onde os país, tios e avós exercem o seu verdadeiro papel.
De acordo com o reverendo, o número de casamentos realizados nas conservatórias nacionais, muitos dos quais com a intervenção da igreja, espelham que a situação das famílias angolanas não é totalmente má, mas estável, embora reconheça a existência de vários casos de desestruturação familiar que devem ser levados em conta.
Adilson de Almeida apontou a questão da poligamia, infidelidade conjugal, violência doméstica e fuga à paternidade, como factores sociais cruciais que criam fragilidades e desestruturação do tecido familiar.
Para o pastor, é necessário que o país adopte medidas próprias que viabilizem a realização de balanços estatísticos periódicos, com o propósito de dar a conhecer a situação real de convivência social das famílias, mormente no que toca a situação da saúde, economia e sua estruturação. O bem de uma sociedade começa no seio da família. Avançou que nunca é tarde para um pai ou encarregado de educação começar com novas acções benignas, em prol da estabilidade da sua ascendência.
Destacou a importância da união de todos os actores sociais no sentido de criarem um melhor ambiente de discussão dos problemas da família, tanto a nível dos municípios como dos bairros comunitários. “É necessário que dentro da família haja a manifestação de vontades para a resolução dos seus próprios conflitos, por forma a buscar a coesão social e criar relacionamentos saudáveis”, disse. Ressaltou a importância do tribunal tradicional para a solução de conflitos no seio das famílias, no meio rural, incutindo nos cidadãos o respeito e o sentimento de responsabilidade.
As famílias devem viver em comunhão com a espiritualidade cristã, estarem dispostas a aprender coisas novas que ajudem na mudança de consciência, para que se possa criar bons exemplos de convivência.

 

 

 

Tempo

Multimédia