Sociedade

Fraca adesão às inscricões depois de alargado o prazo

Rodrigues Cambala

O primeiro dia da prorrogação das inscrições para os exames de acesso à Universidade Agostinho Neto, que resultou do atraso na entrega dos certificados de habilitações por parte das escolas do ensino secundário e médio, registou pouca enchente.

Estudantes elogiaram a medida do Ministério do Ensino Superior de alargar o prazo
Fotografia: Agostinho Narciso | Edições Novemmbro

Amanhã, quarta-feira, 15, vai ser o último dia das inscrições. Uma fonte da UAN garantiu que os números podem ficar abaixo do previsto, devido aos constrangimentos registados ao longo do processo, em que há ainda alunos sem documentação e escolas do II ciclo que sequer enviaram à Universidade as pautas para permitir, no mínimo, o cadastramento dos candidatos.

A candidata ao curso de Psicologia Escolar Luísa Maiengue elogiou a medida do Ministério do Ensino Superior de alargar o prazo, evitando que muitos fiquem fora do processo. Ela explica que somente na sexta-feira à tarde é que recebeu o certificado de habilitações. “Estive aqui na Universidade, na semana passada, mas a minha escola não tinha enviado a pauta”, contou.
O mesmo aconteceu com Marcelina Chissapa, que só teve a documentação da escola em mãos na sexta-feira, depois de vários dias à espera. A jovem, que pretende estudar Contabilidade e Administração, afirmou que a escola alegou que estava desprovida de dinheiro para imprimir os certificados a tempo.
Já o candidato Ruben Fazenda manifestou-se satisfeito com a extensão da data, lamentando o facto de colegas seus não terem recebido o certificado na sexta-feira. “Provavelmente alguns vão receber hoje, para que façam a inscrição amanhã”, supõe o jovem, que pretende estudar Arquitectura.
Mas Madalena Buila e Francisco Pires contam que não se inscreveram na fase inicial por falta de dinheiro, para apanhar táxi e pagar a taxa de inscrição. Ambos acrescentaram que o alargamento do prazo vai fazer com que mais pessoas mantenham o sonho de ingresso na universidade pública, devido às dificuldades financeiras para estudar em instituições privadas.
No meio de todos os problemas à volta, há quem não tenha feito antes a inscrição por desconhecimento. É o caso de José Pedro, que admitiu que só tomou conhecimento da abertura das inscrições na última sexta-feira. “Já tinha a documentação preparada, mas foi o meu amigo que me alertou. Estive tão distraído que se não prolongassem a data ficaria de fora”.
O director do Gabinete de Informação Científica e Documentação da UAN, Arlindo Isabel, reconheceu ontem, ao Jornal de Angola, que a extensão das inscrições afecta o calendário inicial do processo de acesso à Universidade.
“É possível que alteremos as datas, mas ainda não temos nada avançado”, disse, sublinhando que o período de afixação, reclamação e exames de aptidão pode ser alterado, porque as inscrições só terminam amanhã, dia 15.
Os exames de acesso estavam previstos para o dia 20 deste mês. Até sábado, a Universidade Agostinho Neto já tinha inscrito cerca de 25 mil candidatos. Para o próximo ano académico, a UAN tem disponíveis 4.925 vagas nos cursos de graduação. Com o financiamento da União Europeia, a UAN tem 385 vagas para cursos de bacharelato, dirigido à formação de professores do ensino técnico-profissional, numa parceria com o Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED). Ainda no quadro do referido projecto, a Universidade José Eduardo dos Santos, no Huambo, tem 90 vagas.

Protestos contra Jean Piaget e UPRA

Estudantes das universidades privadas Jean Piaget e UPRA, em Luanda, insurgiram-se ontem contra a direcção das duas instituições, protestando a subida das propinas.
Os discentes alegam não haver condições financeiras para suportar o valor que as direcções das universidades pretendem fixar para o ano lectivo 2020.

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