Sociedade

Grevistas com penas convertidas em multas

Mazarino da Cunha

Dez grevistas do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), julgados sumariamente, na terça-feira, foram condenados pelo Tribunal Provincial de Luanda a seis meses de prisão, convertidos em multa, no valor de 25 mil kwanzas cada um.

A condenação dos grevistas foi convertida em multa
Fotografia: Edições Novembro

A defesa dos réus contesta a decisão do juiz da causa e promete efectuar recurso à sentença, por em seu entender não ter sido provado em tribunal, cuja sessão decorreu no Palácio Dona Ana Joaquina, as acusações que pendiam sobre os trabalhadores do CFL, que observam uma greve há 27 dias.

A Polícia Nacional, segundo o causídico, não conseguiu provar o crime de desobediência às autoridades que pesava sobre os seus constituintes, que no dia da prisão tentavam impedir a circulação do comboio do Caminho-de-Ferro de Luanda, que pretendia efectuar serviços mínimos entre a Estação dos Musseques (Tunga Ngó, no Rangel) e Viana.
O advogado de defesa dos réus, Santana Manuel Francisco, disse ao Jornal de Angola que o Tribunal Provincial de Luanda, até ao último minuto do julgamento sumário, que se prolongou até às 22h00, não provou que os dez grevistas cometeram crime de desobediência.
O porta-voz do Sindicato dos Trabalhadores do CFL, Lourenço Contreiras, também constituído réu, esclareceu ontem ao Jornal de Angola que “em nenhum momento os grevistas impediram a saída do comboio”.
Lourenço Contreiras disse que houve, na realidade, “excessos” por parte dos agentes da Polícia Nacional. Uma das balas de gás lacrimogéneo “atingiu o dedo polegar e o indicador do jovem Ademar Figueiredo e não por ter tentado desligar as mangueiras do comboio, como o CFL afirmou.”
Não é possível, reiterou Lourenço Contreiras, um revisor de bilhetes ter noção sobre o funcionamento de locomotivas, com a agravante de se atrever a desligar as mangueiras de pressão do comboio. Ademar Figueiredo continua internado no Hospital Américo Boavida.

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