Sociedade

Hospital Pediátrico atende por ano 974 crianças com anemia falciforme

Edna Mussalo

Pelos menos 974 crianças que padecem de anemia de células falciforme são seguidas anualmente em consultas de especialidade no Hospital Pediátrico de Luanda “David Bernardino”, avançou ontem, Luís Reis da Fonseca, médico pediatra da referida unidade hospitalar.

Mortalidade infantil por anemia falciforme acontece, geralmente, quando a criança tem problemas a nível do baço
Fotografia: DR

Luís Reis da Fonseca, que falava ao Jornal de Angola, por ocasião do Dia Mundial do Doente de Anemia Falciforme, assinalado ontem, não soube com exactidão apresentar o número de doentes existentes a nível do país, mas afirma ser crescente a cifra de pacientes com falciformação, que em seu entender constituí um problema de saúde pública. 

A nível do Hospital Pediátrico de Luanda estão a ser acompanhadas cerca de mil crianças doentes de anemia drepanocítrica em consultas de avaliação e seguimento.
O médico que tem sob a sua responsabilidade 60 crianças doentes falciformes, apela aos casais para fazerem um aconselhamento genético, exame que comprova o seu estado de saúde, níveis do sangue e das células, a fim de prevenir problemas futuros, considerando ser esse o melhor método de prevenção da doença.
O tratamento da doença naquela unidade pediátrica é eficaz e colmata de forma positiva a pandemia, aumentando a qualidade de vida do doente, cuja esperança de vida é estimada em 50 anos, a viver de forma saudável com a doença, garantiu o médico pediatra.
Actualmente, alguns pacientes portadores de anemia falciforme recebem tratamento à base de hidroxiuréia, um fármaco bastante eficaz e que diminui as crises nos doentes. Esse medicamento, de acordo com o médico, ainda não é administrado no sistema de saúde público “por ser caro”, encontrando-se disponível apenas em unidades privadas de referência.
Luís Reis da Fonseca afirma que, com um acompanhamento regular e com a administração diária de fármacos, o paciente portador de anemia falciforme pode ter uma vida normal por longos anos.
A mortalidade infantil por anemia falciforme acontece geralmente quando a criança tem problemas a nível do baço, onde as complicações do fígado podem tornar-se fatais, enquanto no adulto atinge com maior realce a região toráxica, chegando a evoluir para problemas cardíacos ou respiratórios. Adriano Manuel, presidente do Sindicato Nacional dos Médicos, diz que o Governo devia trabalhar na prevenção, com a divulgação da doença e as suas consequências em escolas e nas comunidades, para que dessa forma sejam gastas menos verbas.
Quanto ao transplante de medulas, tratamento usado em países da América e Europa, o responsável do Sindicato dos Médicos não sabe precisar para quando a implementação dessa terapia em Angola, mas acha viável que o Governo trabalhe na medicina preventiva e não na curativa.
A alimentação adequada, ingestão de líquidos, exercícios moderados, agasalhar-se em épocas frias e tratamento adequado prolongam a vida do doente com anemia falciforme.

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