Sociedade

Igreja Católica proíbe comércio de relíquias

O Vaticano publicou no sábado um conjunto de procedimentos a seguir no que diz respeito às relíquias, com especial destaque para a “proibição do comércio” ou “a sua exposição em lugares profanos ou não autorizados”.

O Vaticano publicou um conjunto de procedimentos a seguir no que diz respeito às relíquias
Fotografia: AFP |

No artigo 25 do documento intitulado “As relíquias na Igreja: Autenticidade e Conservação”, da responsabilidade da Congregação para as Causas dos Santos, pode ler-se que “está absolutamente proibido o comércio” bem como “a venda de relíquias”, medida que pretende também contrariar um tipo de mercado em crescimento na Internet.
O Vaticano frisa ainda que “as relíquias dos beatos e dos santos não podem ser expostas à veneração dos fiéis sem um certificado especial da autoridade eclesiástica que garante a sua autenticidade”.
Na introdução, a Congregação para as Causas dos Santos realça que este documento vem a público também para reforçar “o procedimento canónico a seguir na verificação da autenticidade das relíquias e dos restos mortais” dos santos e beatos alvos de veneração. E ao mesmo tempo para “garantir a conservação” daqueles objectos e promover o seu culto da forma mais adequada.
O Vaticano explica que “tradicionalmente são consideradas relíquias insignes partes notáveis do corpo de beatos e santos ou as cinzas resultantes da sua cremação”. Por outro lado, são classificadas como relíquias não insignes pequenos fragmentos do corpo dos beatos ou santos, ou objectos que tenham estado em contacto directo com essas pessoas. Todas devem “ser guardadas, se possível em urnas seladas e honradas e preservadas em espírito religioso, evitando toda a forma de superstição e comercialização”, reforça o documento da Congregação para as Causas dos Santos.
O mesmo texto alerta ainda que “antes de ser empreendida qualquer operação sobre as relíquias ou seus restos mortais, deve ser observado tudo o que está estabelecido pela lei civil local e ser obtido, em conformidade com a lei, o consentimento dos herdeiros”, os familiares das figuras que irão ser alvo de veneração.
Essa permissão é obtida através da referida Congregação, mas cabe ao bispo de cada diocese também escrutinar. “O bispo poderá evitar todo o sinal de culto indevido a um Servo de Deus ou Venerável que ainda não tenha sido beatificado”, pode ler-se.

Liberdade de expressão
O Papa Francisco destacou no sábado, no Vaticano, a importância de lutar pela preservação de uma comunicação social que “informe verdadeiramente” e seja voz “mais próxima possível da realidade” do Mundo e dos seus problemas. Numa mensagem deixada durante uma audiência com os membros da União Italiana de Periódicos e de Imprensa e da Federação Italiana de Semanários Católicos, o Papa Francisco salientou que “a voz dos 'media', livre e responsável, é essencial para o crescimento de qualquer sociedade democrática” e para o desenvolvimento no público de “um sentido crítico saudável que o faça fazer as perguntas que interessam e chegar às conclusões mais necessárias”.
“Desta forma, evitamos ir constantemente ao sabor de 'slogans' fáceis ou de campanhas de informação extemporâneas, que deixam transparecer a intenção de manipular a realidade, a opinião e as próprias pessoas, à base de rumores mediáticos inúteis”, sustentou.
“Que não se caia no maior pecado da comunicação, a desinformação, dizendo apenas uma parte, a calúnia, que é sensacionalista, ou a difamação, procurando coisas já ultrapassadas, antigas, e trazendo-as à actualidade. Estes são pecados gravíssimos, que destroem o coração do jornalista e das pessoas”, completou.
No encontro do Papa com os vários organismos de comunicação social, ficou clara ainda a urgência de “manter vivo o pluralismo” e a “liberdade de expressão” nos órgãos de comunicação social.
O presidente da União Italiana de Periódicos e de Imprensa (USPI), Giorgio Zucchelli,  apontou que preservar esses bens é hoje cada vez mais necessário, numa altura em que o pluralismo e a liberdade de expressão estão “em risco de ser condicionados por grandes corporações nas mãos de poucos”.

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