Sociedade

INE está a efectuar consulta pública

Manuela Gomes

O país vai, a partir do primeiro trimestre do ano em curso, contar com dois mo-delos de pobreza, nomeadamente a monetária, que actualmente é 37 por cento, e a multidimensional, 51, disse ontem, em Luanda, o director-geral do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Fotografia: Jaimagens

Camilo Ceita prestou estas declarações à imprensa por ocasião da consulta pública sobre “pobreza multidimensional”, que teve como objectivo principal recolher contribuições da sociedade para estabelecer as dimensões e os indicadores relevantes na composição do índice de pobreza multidimensional (IPM).
Segundo o responsável, o índice de pobreza multidimensional em Angola, 51 por cento, foi calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Universidade de Oxford, lançado no princípio deste ano.
“A nossa intenção é abrir espaços para que as contribuições da sociedade civil e dos vários sectores do Gover-no enviem, a partir do nosso endereço electrónico ou do nosso portal, para depois trabalharmos e compilar essas prestações”, disse.
O período de recolha das contribuições para definir a pobreza multidimensional no país teve início ontem e terá a duração de 10 dias.
Sobre o actual índice de pobreza em Angola, Camilo Ceita não precisou o indicador, mas considerou necessário que se tenha um certo cuidado com a descrição dos tipos de pobreza.
“Temos aquela que geralmente todos conhecemos, a pobreza monetária, com base em referência ao Banco Mundial (BM) que é de 1,9 dólares por dia. Para este modelo de pobreza, temos dados de 2008, que afectam cerca de 36,7 por cento da população”, disse Camilo Ceita, realçando que o inquérito será actualizado ainda este ano.
Definiu o índice da pobreza multidimensional como a privação de educação, saúde, saneamento, acesso à água e as condições da estradas, entre outros factores sociais.
Considerou fundamental que o país defina a sua pobre-za multidimensional, porque os indicadores alinhados a nível global do PNUD e pela Universidade de Oxford po-dem não se reflectir naquilo que são as nossas prioridades, disse o director do INE por isso, ressaltando que se quer em conjunto identificar as nossas precedências, dimensões e indicadores.
Para o director do INE, a definição do inquérito sobre a pobreza multidimensional (IPM) vai facilitar o trabalho do Executivo e não só, na me-dida em que deve permitir que a nível dos municípios e das futuras autarquias sejam calculadas exactamente as privações das suas populações.
“Pensamos que, com este trabalho, o INE está a providenciar mais um instrumento de apoio à política e à gestão. Temos consciência que o de-semprego deve ser um dos indicadores associados, mas isso traz consigo uma série de desafios, porque a questão do desemprego tem um im-pacto muito grande na vida da população economicamente activa”, explicou, Camilo Ceita.

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