Sociedade

IURD poderá encerrar actividades em Angola

O director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), Francisco Castro Maria, admitiu ontem, em Luanda, a possibilidade de se encerrarem as actividades da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola (IURD), caso se provem as acusações feitas por bispos, pastores e obreiros e que constam em cartas enviadas aos órgãos policiais.

Depois das denúncias apresentadas, os bispos da IURD realizaram uma manifestação
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

A informação foi avançada à imprensa, após uma reunião da comissão interministerial para o acompanha- mento do exercício da actividade religiosa, de crença e de culto, que abordou a situação da IURD e o processo de reconhecimento das confissões religiosas.
A 28 de Novembro, um grupo de 300 bispos e pastores angolanos anunciou a ruptura com o bispo Edir Macedo (líder da igreja), por alegadas práticas doutrinais contrárias à religião, como a exigência da prática de vasectomia, castração química, além da evasão de divisas para o exterior do país.
Em resposta, a direcção da Igreja Universal declarou que se trata de uma “rede de mentiras arquitectadas por ex-pastores desvinculados da instituição por desvio moral, de condutas e até por práticas criminosas, com o único objectivo de terem a sua ganância saciada”.
Apesar de o Ministério da Cultura não ter “tomado ainda nenhuma medida”, adiantou, perante a este “escândalo”, em caso de confirmação das acusações, a lei 12/19 de 14 de Maio, da Liberdade de Religião, no seu artigo 48, estipula a suspensão, revogação do reconhecimento e extinção da seita, em caso de necessidade de se aplicar a última medida, em função da gravidade dos actos criminais.
Nesse momento o INAR tem estabelecido contactos com as partes (a angolana e a brasileira), para o restabelecimento da paz na IURD.

Fase de instrução
Em termos criminais, o processo encontra-se em fase de instrução preparatória e sob segredo de justiça, devendo ser encaminhado para julgamento tão logo termine, segundo disse o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, Waldemar José.
Reforçou que das acusações feitas e que constam nas cartas que os bispos, pastores e obreiros enviaram aos órgãos policiais, “há matérias suficientes para se despoletar um processo-crime por se tratar de crimes públicos”.
Relativamente ao processo de reconhecimento das confissões religiosas, o director do INAR informou que das 1.800 não reconhecidas, 97 apresentaram processos de legalização, que devem ser avaliados nos próximos dias.
Diferente da antiga lei que atribuía poderes ao Ministério da Justiça para a legalização das confissões religiosas, o novo diploma transferiu essa prorrogativa ao Ministério da Cultura, através do INAR.

Tempo

Multimédia