Sociedade

Julgamento marcado por contradições dos réus

Kilssia Ferreira

No segundo dia de julgamento dos 11 implicados nas mortes da jornalista  Beatriz Fernandes  e de Jomance Muxito, ocorridas em 26 de Outubro de 2017, foram  ouvidos, ontem, pelo Tribunal Municipal de Viana, em Luanda,  três réus e uma irmã da vítima na condição de declarante.

Fotografia: DR

A audiência ficou marcada pelas declarações contraditórias entre os réus João Pedro Queto, de 30 anos, mais conhecido por “Faly”, e  Cristiano, também conhecido por “Bobeira”. 
Durante o interrogatório,  o réu João Queto disse que, no dia do crime, conduzia uma viatura, em companhia de mais três elementos,  entre os quais o  réu Guelor Quimbo, natural da República Democrática do Congo.
João Queto afirmou ter sido obrigado por Guelor a embater contra a viatura de Beatriz  Fernandes, na altura conduzida por Jomance Muxito e a bordo da qual estavam também dois filhos da jornalista.
João Queto declarou que desconhecia a real intenção do comparsa Guelor Quimbo, quando lhe ordenou a embater contra a viatura e negou também conhecer os outros elementos que se encontravam na viatura por si conduzida.
O réu João Queto reconheceu ter transportado as vítimas para uma mata, no Zango Zero, onde executaram o duplo assassinato,  e não nos arredores do Quilómetro 30, como foi divulgado no ano passado. 
O réu alegou desconhecer o autor dos assassinatos, argumentando não ter escutado tiros, porque estava a dormir no local, por ter tido um mal-estar.
Já o réu  “Bobeira”  disse não fazer parte do grupo e  que apenas tinha ido acompanhar o irmão, Adilson, buscar dinheiro a Luanda-Sul, mas confirmou ter estado no Quilómetro 30, em cuja área, de acordo com o próprio, foram executadas as vítimas.
“Bobeira” também negou envolvimento no assassinato, afirmando que ficou na viatura a controlar as crianças, que só não foram mortas por ter estado contra essa ideia, numa altura em que o réu Guelor pretendia também disparar contra os menores.

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