Sociedade

Ligações clandestinas de água foram desactivadas

César André

Várias ligações clandestinas de água, no perímetro que liga a bomba de combustível da Pumangol ao Mercado da Madeira, na estrada principal do Calemba 2, no Distrito Urbano da Estalagem, foram desactivadas pela Administração Municipal de Viana.

Utentes de tanques de água, cujas ligações são ilegais foram os alvos da operação
Fotografia: Contreiras Pipas | Edições Novembro

A operação, que se estendeu ao longo de toda a semana finda, abrangeu também os sectores três e quatro da circunscrição e visou pôr fim às ligações clandestinas de água na localidade, que têm causado prejuízos diários à Empresa Provincial de Água de Luanda (EPAL).
O director municipal de Energia e Águas, José António, que acompanhou a operação, disse ao Jornal de Angola que a realização da operação é fruto de várias denúncias feitas por moradores, bem como de um trabalho apurado e de concertação entre vários órgãos, incluindo as comissões de moradores.
José António disse que a falta de água canalizada na circunscrição é o resultado da invasão que sofrem as condutas, por ligações clandestinas que procedem à extracção do líquido de forma imprópria para vários fins, incluindo para a lavagem de viaturas.
Questionado sobre os passos a serem dados a seguir, o responsável disse que o primeiro é eliminar o fornecimento de água a esses locais e, posteriormente, fazer o reperfilamento da conduta que conduz a água para aquela zona do município de Viana.
O responsável municipal da Energia e Águas disse ser importante dar alguma estabilidade aos moradores dos bairros que se encontram ao longo do troço da conduta, para evitar que as famílias ali residentes abandonem as residências, devido à falta de abastecimento normal de água canalizada.
Joaquim Domingos, antigo morador do bairro Calemba 2, louvou o trabalho da Administração Municipal de Viana e disse que há muito que essas acções eram esperadas por alguns habitantes locais.
“Enquanto uns pagam pelo consumo de água, outros desfrutam do precioso líquido sem gastar nenhum kwanza”, desabafou.
Valéria Rodrigues, também moradora, há mais de dez anos, na circunscrição, disse ser necessário apertar o cerco aos garimpeiros de água, não só os que danificam as condutas de água no Calemba 2, como do resto da província, e que têm como coniventes os próprios trabalhadores da EPAL.
O Jornal de Angola apurou que desde há muitos anos a EPAL se queixa da actividade dos “garimpeiros”, que causam danos às condutas, para desviarem água para tanques privados e camiões cisternas, a fim de ser comercializada em áreas onde o abastecimento é insuficiente ou não chega. 
A luta contra o “garimpo” de água, desencadeada em operações conjuntas entre a Polícia Nacional e a EPAL começou, em 2011, no Kilamba Kiaxi, Samba, Belas, Viana e Cacuaco.
Os responsdáveis da Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL) referiram em diversas ocosiões que o “garimpo” de água tem estado a causar diariamente prejuízos de nove milhões de kwanzas, bem como a danificação das infra-estruturas.

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