Sociedade

Luanda com previsão de ter mais água potável

Victorino Joaquim |

O Ministério da Energia e Águas deu formalmente início, na terça-feira, na zona do Kicuxi, província de Luanda, à construção da Academia Africana das Águas, cujas obras vão ser concluídas dentro de 12 meses.

O sorriso contagiante de uma mulher no dia em que começou a receber em sua casa água potável depois de muitos anos a acarretar o líquido
Fotografia: Santos Pedro|Edições Novembro

O arranque oficial das obras aconteceu quinze dias depois de o presidente do Conselho de Administração da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), Leonídio Ceita, ter anunciado, na cerimónia de inauguração, em Talatona, da nova sede da empresa pública, que Luanda iria albergar uma Academia Africana das Águas, sem, no entanto, revelar a data para o início das obras, orçadas em mais de 41 milhões de dólares norte-americanos.
O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, e o governador da província de Luanda, Higino Carneiro, deram início simbólico às  obras, quando cada um deles colocou um bloco no local onde vai ser erguida a Academia Africana das Águas, numa área de 27 mil metros quadrados.
Leonídio Ceita, que falava à comunicação social depois da cerimónia, informou que a Academia Africana das Águas vai dispor de uma nave para aulas teóricas e outra para aulas práticas e terá capacidade para formar 200 quadros em cada ciclo académico.
Quando entrar em funcionamento, a Academia vai formar numa primeira fase quadros nacionais, para depois formar outros técnicos africanos, sobretudo da região austral do continente.
A academia vai dispor de um edifício administrativo, laboratórios, refeitório, auditório para 150 pessoas, campo multiusos, estação de tratamento de água e moradias para estudantes e professores. O presidente do Conselho de Administração da EPAL disse acreditar que a academia vai impulsionar e elevar o nível de formação dos profissionais do sector das águas em África.

Agenda preenchida

Ainda na terça-feira, o ministro da Energia e Águas e o governador da província de Luanda deslocaram-se à Zona Verde/Cabolombo, a uma outra área do Kicuxi e também à zona próxima do Shopping Ginga Cristina, em cujas áreas fizeram o lançamento de uma pedra para a construção de novos equipamentos sociais. Na Zona Verde/Cabolombo, vai ser erguido, no prazo de 20 meses, um centro de distribuição de águas, que irá dispor de um reservatório com capacidade para 30 mil metros cúbicos para garantir o abastecimento de água aos bairros Zona Verde, Socorro, Bem-Vindo, Benfica, Vitrona e distrito de Quenguela Norte, devendo beneficiar uma população de mais de 200 mil habitantes.
No Kicuxi vai ser também construído, em 12 meses, um centro de Telegestão e Equipamentos Tecnológicos, numa área de um hectare, devendo custar mais de oito milhões de dólares. O centro de Telegestão e Equipamentos Tecnológicos vai permitir uma gestão técnica eficaz e integrada das infra-estruturas operacionais, mediante a monitorização, comando e controlo, em tempo real.
Junto ao Shopping Ginga Cristina, vai ser construído um centro de distribuição de água, que incluirá a instalação de um sistema de monitorização e segurança de condutas adutoras.
O centro de distribuição, orçado em mais de 12 milhões de dólares, vai ter uma capacidade de dez mil metros cúbicos para garantir o reforço do abastecimento de água ao município de Viana, particularmente ao bairro Morar, que tem registado uma expansão demográfica considerável.
Sobre o projecto relativo à construção de um centro de distribuição de água à Zona Verde/Cabolombo, o ministro João Baptista Borges declarou que a infra-estrutura, quando entrar em funcionamento, vai estar na origem do aumento da produção de água, suprindo assim o défice que se regista actualmente na cidade capital e elevando os níveis de cobertura e abastecimento às zonas Sul e Sudeste, onde se regista um crescimento demográfico. O ministro afirmou que, devido ao crescimento da população nos novos bairros da província de Luanda, “os sistemas de abastecimento de água existentes não são suficientes para atender à crescente procura de água, que é um bem essencial à vida”.
Preocupado com a situação, o Presidente José Eduardo dos Santos instruiu o Ministério da Energia e Águas e a EPAL a criarem projectos que permitam aumentar rapidamente a quantidade de água disponível para a população.
O Plano de Acção contempla a construção de estações de tratamento e captação de água, centros de distribuição, condutas adutoras e rede de distribuição. “Este centro vai ser um ponto de armazenamento e distribuição de água para esta região e vai ficar ligado ao futuro sistema de captação e tratamento de água do Bita”, salientou o ministro, referindo-se ao centro que vai ser erguido na Zona Verde/Cabolombo.
O presidente do Conselho de Administração da EPAL informou que o Centro de Telegestão e Equipamentos Tecnológicos é a infra-estrutura que vai fazer a gestão de todo o processo da empresa. A partir do centro, de acordo com Leonídio Ceita, a EPAL vai fazer a gestão de todas as estações de tratamento de água e controlar as condutas adutoras, sendo, por isso, considerado um centro de excelência, onde vai funcionar um grupo de funcionários integrado maioritariamente por jovens engenheiros, alguns dos quais vão aumentar, nos próximos tempos, os conhecimentos técnicos em Portugal, China e Índia.
O gestor da EPAL anunciou para breve a entrada em funcionamento de um sistema de informação geográfica, para facilitar a localização de rupturas na rede de condutas de água. O sistema vai ser apresentado em Maio, mas Leonídio Ceita não mencionou a data para o seu arranque.

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