Sociedade

Luta entre grupos rivais aterroriza moradores

Fula Martins

Os moradores da rua Beto Carneiro, no bairro KM-12-A, Distrito Urbano da Estalagem, no município de Viana, em Luanda, sentem-se aterrorizados devido as constantes lutas entre grupos delinquentes rivais, que acontecem no local e resultam quase sempre em ­ferimentos graves.

Fotografia: DR

Embora tenham falado à reportagem do Jornal de Angola na condição de anonimato, temendo represálias, alguns cidadãos residentes na localidade foram unânimes em afirmar que, além de serem frequentes, as brigas datam desde o final do ano passado.

“Vivemos dias e noites de muito terror, por causa destes grupos. Quando lutam fazem uso de garrafas, catanas, ferros, facas e outros objectos contundentes, que culminam muitas vezes em ferimentos graves e mortes”, disse um morador.

Segundo o que se tem propalado no bairro, a situação é do conhecimento do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e do Comando da 48ª Esquadra da Polícia Nacional, localizado no distrito, que pouco ou nada fazem para estancar o fenómeno.

Paula Feliciana (nome fictício) denunciou que os principais contendores provêm das várias ruas do bairro e com propósitos bem definidos. Salientou que alguns acabam detidos e colocados em liberdade poucos dias depois, alegadamente por inexistência de provas para a sua detenção.

“Após a soltura, recomeçam as lutas. Os jovens da rua dos Pára-choques lutam com os da rua da Farmácia da Tia Bela, o grupo da Fábrica de Blocos confronta-se com o do Seminário, e assim por diante”, informou a moradora que inclui a falta de policiamento entre as causas do aumento da delinquência no bairro.
Paula Feliciana manifestou preocupação com as inúmeras detenções de meliantes, pelos efectivos da Polícia Nacional e do SIC, que no final não dão em nada e acabam soltos por falta de provas. “São sempre as mesmas pessoas que fazem confusão e são levadas a esquadra. Mas não são responsabilizadas por alegada falta de provas. Isso é muito complicado”, disse Paula Feliciana, que pede a intervenção das autoridades competentes.

Polícia domina situação

A Polícia Nacional e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) dominam a problemática das rixas entre grupos rivais no Distrito da Estalagem, afirmou o subinspector Frederico Caconda, chefe de Operações e Informação da 48ª Esquadra da Polícia Nacional, que funciona na localidade.

“São grupos constituídos por vários indivíduos. Alguns deles já estiveram presos”, disse, para sublinhar que a corporação tem feito algumas detenções de cidadãos implicados nestes confrontos, que, posteriormente, são encaminhados ao Ministério Público para o devido tratamento.

O subinspector Frederico Caconda explicou que é função da polícia prender os infractores e conduzi-los ao Procurador mais próximo da esquadra onde foram detidos. Em relação à soltura ou não, assegurou que está a ser desenvolvido um trabalho árduo em conjunto com os operativos do SIC, que visa o cadastramento dos grupos de marginais e de todos os seus integrantes. “Estamos a trabalhar na recolha desses indivíduos que deambulam pela via pública e criam desordem”, disse. Frederico Caconda apontou os grupos Deprivas, Gretches e os meliantes Pretinho, Filodi e Henrique, como sendo os que mais criam perturbação no Distrito da Estalagem, tendo lamentado a invulgar cultura de denúncia dos cidadãos.

“Como vê, o gatuno é nosso filho, irmão, sobrinho e, às vezes, os familiares não conseguem denunciar, apesar dos crimes que um ou outro jovem venha a cometer”, disse.

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