Sociedade

Mais de 120 cirurgias de cataratas em dois dias

Manuela Gomes

Madalena Afonso, 50 anos, é uma das 120 pacientes operadas até ontem à catarata, no Hospital Geral de Luanda, por médicos espanhóis, que desde domingo, 17, iniciaram uma expedição com a finalidade de devolver a visão a pelo menos 500 pessoas, de uma lista em que constam 1500.

Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

A paciente que entrou para o bloco operatório com um problema no olho esquerdo, lesão que lhe apoquenta, há um ano, precisou apenas de 40 minutos, o tempo de duração da cirurgia, para se ver livre “das dores fortes e visão embaraçada” que sentia.

Residente no Bairro Balumuka, município de Cacuaco, ela chegou ao Hospital Geral de Luanda, ontem às oito horas para apenas fazer a revisão da cirurgia efectuada, na segunda-feira, 18, levar os medicamentos e óculos solares para a protecção, enquanto durar o tratamento.
Visivelmente feliz, Madalena Afonso disse ao Jornal de Angola que já vai poder desenvolver as suas actividades diárias sem problemas de maior.
Manuel Fonseca, 55 anos, carregava uma lesão no olho direito, há mais de 30 anos e “nunca tinha recebido uma resposta positiva que me devolvesse a visão”. Na segunda-feira, deu entrada no bloco operatório às 21 horas e em menos de uma hora “tinha o meu problema resolvido”, contou satisfeito.
Morador do Zango 2, aproveitou ontem a presença do Jornal de Angola para agradecer os médicos espanhóis por devolverem a sua visão.
Desde o início da campanha, os trabalhos decorrem de forma tranquila, disse o coordenador do Grupo Oshen Helthcare, tendo garantido a realização de triagem a aproximadamente 600 pessoas.
Ontem, foram operadas 96 pessoas, das quais 80 com catarata e o dia foi dedicado à entrega da medicação e à avaliação dos pacientes a serem atendidos hoje.
De acordo com Edson Rocha, ao Hospital Geral de Luanda acorrem muitas pessoas com complicações de catarata e outros com lesões mais graves do foro oftalmológico, pelo que está a ser recomendado “que procurem por solução em hospitais especializados no país”.
Até ao momento, a média de idade de pacientes atendidos ronda os 60 anos, quando a previsão era atender “maioritariamente os mais jovens, porque acreditamos que estes ainda muito têm para dar”, ao passo que um ancião, pela idade e de forma natural “desenvolve dificuldades a nível visual”, aclarou.

Cirurgias sem reclamações
As 250 pessoas operadas, em Outubro do ano passado, pelos médicos da Fundação Elena Barraquer, não fizeram nenhuma reclamação ao Hospital Geral de Luanda, mas muita gente intervencionada naquela altura está a regressar com necessidade para operar a outra vista.
Segundo Edson Rocha, atendendo à demanda, estão a dar prioridade às outras pessoas. “Sentimo-nos lisonjeados porque o nosso trabalho tem sido realizado com sucesso e a maior sensação é de missão cumprida”.
Estamos a tentar devolver alguma alegria ao povo angolano, que infelizmente ainda tem carência no tratamento da catarata e de outros do foro oftalmológico, disse Edson Rocha.
O facto de o Hospital Geral de Luanda não ser uma unidade especializada em oftalmologia “ tem causado alguns transtornos” ao trabalho, devido à demanda, as necessidades de equipamentos e de recursos humanos, disse o coordenador do Grupo Oshen Helthcare. A equipa de especialistas espanhóis é composta por 11 membros entre eles dois cirurgiões, dois anestesistas, enquanto o restante é pessoal de apoio. A Fundação Elena Barraquer realiza campanhas para a erradicação da cegueira por catarata em Angola desde 2014.
Durante esse período, foram observadas cinco mil pessoas, das quais 1.321 foram alvos de cirurgias com recurso a técnicas inovadoras, como o uso de ultra-som para quebrar a catarata e aspiração, através de uma cânula.

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