Sociedade

Mais de 200 candidatos não fizeram os exames

Edivaldo Cristóvão

Mais de 200 candidatos ao concurso público da Saúde não realizaram ontem, em Luanda, os exames de acesso, por falta de conhecimento dos locais indicados.

Uma das exigências do concurso público era de que os candidatos chegassem duas horas antes
Fotografia: M.Machangongo | Edições Novembro

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante uma reunião com os candidatos lesados, no Instituto Médio Alda Lara, pediu desculpas pelos transtornos causados e prometeu que será feita uma segunda prova, no meio da próxima semana, apesar do prazo terminar hoje.

“Em nome do Ministério da Saúde, viemos encontrar soluções pacíficas, para que os exames decorram sem problemas. A quantidade de candidatos é grande, houve alguma desinformação e nós admitimos, mas, também, muita gente nunca consultou o site para saber onde fazer os exames”, disse a ministra.
Pelos transtornos causados ontem, o Ministério da Saúde achou por bem remarcar as provas dos candidatos que estiveram presentes, para terça ou quarta-feira, mas os inscritos deverão, a partir de sábado, consultar o site www.ingresso-minsa.com ou consultarem as listas fixadas no Instituto Médio de Saúde (IMS), das 8h00 às 18h00, para saberem os locais e o horário certo.
“O que aconteceu ontem é que alguns candidatos, principalmente da carreira de motoristas, foram erradamente informados que deveriam fazer o exame no Instituto Alda Lara, associado a este processo temos de ter em conta que os candidatos chegam tarde, não consultam os sites e nem sabem em que escola, sala ou horário efectuar a prova”, explicou Sílvia Lutucuta. A ministra alertou que as provas são personalizadas e cada um tem de saber onde vai fazer o exame, de-vendo chegar cedo, para a resolução atempada de qualquer problema.
Sílvia Lutucuta referiu que para o concurso público da Saúde foram inscritos 77 mil candidatos, em todo o país, para sete mil vagas, em 40 categorias. “Foi feito todo o esforço para que o processo decorra sem sobressaltos”.

Províncias sem candidatos
A ministra Sílvia Lutucuca garantiu ontem, em Luanda, que o processo de candidaturas nas outras províncias do país decorre sem sobressaltos. Segundo uma reportagem emitida pela Rádio Nacional de Angola (RNA), na província da Lunda-Sul verificou-se pouca adesão, sobretudo na categoria de médicos.
A província tem disponível 47 vagas para médicos, mas apenas 13 fizeram os exames. Estão disponíveis para a província da Lunda-Sul 295 vagas para o sector da Saúde.
O coordenador do concurso público na Lunda-Sul, José Serrote, entende que tem de se encontrar uma solução, para o preenchimento das vagas. No Cunene a situação é mais preocupante, não houve nenhum candidato para a categoria de médicos. A Direcção Provincial da Saú-de afirma que são 35 vagas disponíveis, que podem ser preenchidas por técnicos de outras categorias.
Na província do Cunene 1.100 candidatos concorrem para 250 vagas de enfermagem, técnico de terapêutica e de apoio hospitalar.

Insatisfação dos candidatos

Muitos candidatos que estiveram ontem no Instituto Alda Lara demonstraram insatisfação pela forma como decorre o processo de admissão ao Ministério da Saúde, alegando que as instituições devem ser mais responsáveis e sérias.
Alzira Mateus, de 35 anos, vive com o esposo e três filhos, está sem emprego há dois anos e concorre para a categoria de secretária clínica. Disse estar aborrecida, devido à mudança de local em última hora, pois estava na lista dos que fariam exame no Muto Ya Kevela, mas quando lá chegou o seu nome não constava. Teve de voltar a consultar o site e viu que deveria ir ao Alda Lara, onde também não conseguiu fazer o exame.
"Vamos aguardar e confiar nesta lista que está a ser controlada pela ministra da Saú-de, apesar de achar inconveniente manuscrita, uma vez que já estamos na era da base de dados", realçou.
Isaltino Martins, um dos candidatos a condutor, disse que não houve prévia comunicação e que ele e os colegas sentem-se desgastados e foram tratados sem respeito.
"Acreditamos na ministra da Saúde, a única desconfiança é voltar a assinar uma lista de presença. Apelo às nossas instituições a serem mais responsáveis e sobretudo comunicativas, para facilitar a vida de todos", disse o jovem.
A ministra garantiu que na reunião com os candidatos acordou-se a realização de uma segunda prova, no meio da próxima semana. "A conversa com eles foi tranquila, já estão todos mais calmos e conscientes de que vão fazer os exames, apelamos à calma a todos", sublinhou Sílvia Lutucuta.

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