Sociedade

Mais de mil pacientes aguardam por uma operação

Mazarino da Cunha

Herculano Paulo Costa, 46 anos de idade, ex-militar das Forças Armadas Angolanas (FAA), perdeu no ano passado a oportunidade de ser transferido para a Polícia Nacional, devido a catarata que afecta a filha menor, há mais de um ano, e que deve ser operada urgentemente no exterior do país.

Ao cabo de cinco dias de actividade, tinham sido operadas no Hospital Geral de Luanda 280 pessoas, 20 das quais crianças
Fotografia: DOMINGOS CADÊNCIA | EDIÇÕES NOVEMBRO

Pai de quatro filhos, desempregado há mais de três anos, o ex-militar, depois de ter recebido ontem esclarecimentos sobre a gravidade da lesão da filha, disse que “não tenho condições financeiras para tratar a cédula, o bilhete de passagem, o passaporte para a viagem à Espanha”, onde a Fundação Elena Barraquer garantiu fazer a operação à filha.

Militar há mais de 18 anos, Herculano Paulo Costa confessou estar cansado de ver a filha a internar em vários hospitais de Luanda e de Benguela e não ver resolvido o problema da catarata que a afecta.
“Estou numa luta sem fim”, disse o ex-militar, para quem a filha está a perder a visão, a cada dia que passa, sem, no entanto, encontrar solução, situação que, segundo avançou, levou a “perder a minha vaga na Polícia Nacional”, desabafou.
Em conversa com o Jornal de Angola, o director clínico do Hospital Geral de Luanda, Carlos Manuel, falou sobre o estado de saúde da menina e esclareceu que a mesma não poderá ser submetida a cirurgia em Angola, dada a sua idade e por tratar-se de um caso muito delicado.
O responsável clínico disse que a Fundação Elena Barraquer está disponível em tratar gratuitamente a menina, na Espanha, desde que a família cuide da viagem.
Ao cabo de cinco dias de actividades, haviam sido operados 280 pacientes, dos quais 20 crianças. Até domingo, último dia da expedição, os médicos espanhóis prevêem atingir aproximadamente 400, número que está muito abaixo dos mais de 1000 que estão na lista desde Outubro do ano passado. Além destes, existem outras dezenas de pacientes que aguardam em filas extensas, no pátio do hospital.
Lurdes Blanco, médica anestesista, disse que, apesar de alguma dificuldade na comunicação com os pacientes, a campanha tem corrido bem, mas lamenta o elevado número de crianças com a doença.
Graça Tomás, 76 anos, estava satisfeita com a operação e conta que adquiriu a catarata nos dois olhos, devido a um ataque cardiovascular que teve há um ano. “Depois de dois dias de internamento, já me sinto bem e estou de regresso”.

 

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