Sociedade

Marcha repudia abandono de recém-nascidos

Adelaide Mualimusi | Ondjiva

O abandono constante de recém-nascidos, na província do Cunene, bem como a crescente onda de violência doméstica na região, deram origem a uma marcha de repúdio, realizada, no sábado, nas ruas da cidade de Ondjiva, com a participação de centenas de mulheres, numa iniciativa do Gabinete da Acção Social, Família e Igualdade de Género.

Um pormenor da cidade de Ondjiva, capital do Cunene
Fotografia: Domiano Fernandes | Edições Novembro

A directora da instituição, Elizabeth Kondjasili, disse que a marcha teve como objectivo repudiar actos de violência contra as crianças um pouco por toda a província, com destaque para o recente caso de um bebé recém-nascido abandonado num túnel, no bairro Okafito I, arredores de Ondjiva.
Elizabeth Kondjasili disse que a mãe já está a contas com a Justiça e o bebé, neste momento, recupera satisfatoriamente no Hospital Geral de Ondjiva, com o apoio de pessoas de boa fé, e foi lhe atribuído o nome de “Jesus de Nazaré”, devido às características do local onde foi encontrado.
A directora do Gabinete de Acção Social, Família e Igualdade de Género, mostrou-se preocupada com os elevados casos de abandono de recém-nascidos, na via pública, hospitais e em lixeiras, bem como da fuga à paternidade, comportamento que levou a instituição a promover a realização da marcha, em repúdio à violência contra os menores e contra o género.
“ Viemos à rua para apelar, não só às mulheres, mas também aos homens, porque este tipo de situação é resultado também da fuga à paternidade”, adiantou Elizabeth Kondjasili, para quem as actividades do género vão continuar para despertar a sociedade e desencorajar actos semelhantes.
Dados do Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Igualdade de Género indicam que de Janeiro a Outubro deste ano, foram registados 23 casos de violência diversa e com maior realce para a fuga à paternidade e ofensas corporais.

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