Sociedade

Mediateca móvel vai sair do Sequele dentro de dias

Pereira Dinis

Sexta-feira, 12, quando passavam alguns minutos das 12h00, os dois estavam a pesquisar. O silêncio era absoluto quando o repórter chegou ao local. Como se tivesse adivinhado o pensamento do repórter, o responsável da mediateca diz que “aqui, o silêncio é a marca da casa”.

Mediatecas móveis são colocadas em sistema de rotatividade e em áreas que não têm tais serviços
Fotografia: Eduardo Pedro| Edições Novembro

Sem ser questionado, Elísio Mendes de Carvalho informa que o projecto Angola-Online, criado com o objectivo de promover a inclusão social e digital em Angola, já chegou à cidade do Sequele.
A presença da mediateca móvel no Sequele está a massificar a Internet, cuja tecnologia de informação e comunicação é utilizada para pesquisa e entretenimento. A mediateca é frequentada por crianças, adolescentes e adultos. “Já recebemos pessoas com mais de 70 anos”, acentua Elísio Mendes de Carvalho.
A informação avançada por Elísio Mendes de Carvalho é mais uma prova de que todas as faixas etárias não resistem às novas tecnologias de informação e comunicação. “Quem tem uma saúde mental sã e desejar os nossos serviços, pode vir pesquisar e também entreter-se na mediateca”, acrescenta o responsável.
A saída da mediateca móvel do Sequele está para breve, uma informação que já é dominada, com alguma tristeza, pelos frequentadores assíduos do local.
A mediateca vai ser transferida para o município do Kilamba Kiaxi. “É uma notícia triste, mas as mediatecas móveis só podem ficar num determinado ponto durante quatro meses”, explica o responsável, que disse estar a infra-estrutura no Sequele além do prazo estabelecido. A mediateca está no Sequele desde Setembro do ano passado.
As mediatecas móveis são colocadas em sistema de rotatividade e em áreas que não têm mediatecas fixas. Quando lhe foi perguntado se está prevista a instalação de uma mediateca fixa na cidade do Sequele, Elísio Mendes de Carvalho diz desconhecer a existência de algum projecto nesse sentido, tendo apenas dito que, se for instalado, “a ideia é boa”.
Muitos pais e encarregados de educação já começam a sentir saudades da mediateca móvel porque reconhecem os seus benefícios e um deles é a utilização da infra-estrutura para se ter acesso ao “sepe.gov.ao”, Portal Oficial do Governo, por via do qual têm acesso a vários serviços públicos, como consultar o número de contribuinte e imprimir livros escolares da primeira à sexta classes.
A mediática móvel do Sequele abre de segunda a segunda-feira e funciona das 8 às 14 horas. Sábado é dia reservado à formação tecnológica, destinada a pessoas interessadas.
A mediateca móvel atende, por dia, uma média de 30 pessoas e a condição de acesso à infra-estrutura é a compra, por dois mil kwanzas, de um cartão, com o qual podem frequentar qualquer mediateca, física ou móvel, em qualquer parte do país, durante um ano. O dinheiro serve para cobrir os custos de produção e emissão do cartão.
O cartão de dois mil kwanzas é adquirido por pessoas enquadradas na modalidade “Estudante, Infantil, Juvenil, Professor”, sendo esta uma das cinco modalidades de Cartão.
Desde que chegou ao Sequele, a mediateca móvel recebeu mais de 500 utilizadores, a maioria dos quais residente no distrito urbano do Sequele.
O Jornal de Angola ouviu vários alunos que fazem da mediateca móvel o espaço preferencial para pesquisa académica. Suzete Bernardo, aluna da oitava classe, sugere que os municípios e distritos devem ter mediateca fixa.
A aluna diz que o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação devia estabelecer uma parceria com o Ministério da Educação com vista à reabilitação e instalação de bibliotecas escolares em todo o país.
Os alunos começam a fazer contas à vida na sequência da notícia sobre a transferência da mediateca móvel para o Kilamba Kiaxi, local que está a mais de 20 quilómetros da cidade do Sequele.
“É muito dinheiro que vamos gastar se recorrermos ao serviço de táxi, para podermos investigar no Kilamba Kiaxi”, disse, com tristeza, Suzete Bernardo, acrescentando que as despesas com o transporte podem ser também volumosas se optar por ir ou à Biblioteca Nacional ou às mediatecas de Luanda e Zé Dú.
O aluno João Carlos corroborou com a colega e disse ter a certeza de que o seu pai não está em condições de suportar constantes idas que pode vir a fazer àqueles espaços de aquisição de conhecimentos, depois da saída do Sequele da mediateca móvel.

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