Sociedade

Médico alerta sobre perigo do consumo

Arão Martins | Lubango

O especialista em saúde pública, Filomeno Fortes, alertou na cidade do Lubango, província da Huíla, sobre o perigo do consumo de carne contaminada com carbúnculo, numa altura em que a doença bovina já matou este ano seis pessoas nesta região.

Em entrevista ao Jornal de Angola, à margem da conferência sobre “Perspectivas de cooperação entre as várias instituições públicas”, realizada no Lubango, disse que na região sul, é preciso ter alguma atenção com as doenças transmitidas entre os animais e destes para o ser humano. “Essas doenças constituem perigo para a nossa saúde e um peso para a economia. O país tem sofrido alguns revezes que podem vir da Zâmbia ou Namíbia e depois expandem-se para as províncias do sul”, alertou. Filomeno Fortes, que é igualmente director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, explicou que existe uma série de doenças como o bacilo antraxis, que além de provocar morte, em menos de 48 horas ao homem, é uma bactéria que é controlada a nível internacional, porque pode ser utilizada para outros objectivos. “Um dos problemas é que havendo seca, há menos produção de gado e a população começa a procurar alternativas para a sua alimentação”, disse, acrescentando “que essas situações acontecem com animais que não são controlados, nem vacinados por uma questão de sobrevivência”. A outra questão relacionada com o problema da seca, referiu, tem a ver com a possibilidade de utilização de hormonas no gado para o seu desenvolvimento mais rápido. “Falamos em tuberculose bovina, que é uma realidade na região sul. É uma zoonose que é transmitida do boi para o ser humano, através da carne contaminada com a bactéria da tuberculose, que pode passar ao ser humano, através da alimentação”, referiu.  Salientou que existe, igualmente, alguma preocupação com a utilização do leite da vaca que não é controlado. Por intermédio deste alimento, explicou, pode-se passar algumas doenças para o ser humano. Indicou que a província da Huíla é endémica no diz respeito a casos de oncorsecose (cegueira dos rios) ainda sem vacina disponível neste momento a nível mundial e o diagnóstico nem sempre é fácil. “Também chamamos a atenção neste aspecto”, informou. O médico defendeu a importância do treinamento dos técnicos “para perceberem que quando a pessoa aparece com um caroço num determinado ponto do corpo ele tem de saber como vai fazer uma incisão, tirar a amostra ou ir ao microscópio para determinar a doença”, concluiu.

 

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