Sociedade

“Médicos devem deixar zona de conforto e irem à áreas recônditas”

Weza Pascoal | Menongue

O secretário de Estado para área Hospitalar, Leonardo Inocêncio, disse, hoje, em Menongue, capital do Cuando Cubango, que a classe de médicos só será valorizada quando gerar profissionais capazes e que estejam dispostos a saírem da zona de conforto, para trabalharem no seio das populações em áreas recônditas do país.

Ordem dos Médicos de Angola levou para o Cuando Cubango 50 especialistas que atenderam mais de três mil pessoas
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue

Leonardo Inocêncio, que falava na abertura da jornada científica, por ocasião do Dia dos Médicos de Angola, que amanhã se assinala, disse que o concurso público de ingresso do Ministério da Saúde, realizado em 2018, permitiu aumentar a cobertura de 0,9 porcento para 1,4 médicos para 10 mil habitantes.
Anunciou também que os enfermeiros, admitidos no mesmo concurso público, passaram de 9,6 para 11, por cada 10 mil habitantes, enquanto que os técnicos de diagnóstico e terapêutica passaram de 1,8 para dois técnicos, para cada 10 mil habitantes.
Dos 4.133 médicos existentes no país, 3.304 são angolanos, dos quais 1.316 são técnicos de diferentes especialidades e 1.129 expatriados, enquanto que 1.040 pretendem especializar-se no período de 2020 a 2024.
Na sua alocução, Leonardo Inocêncio exortou a Ordem dos Médicos de Angola, no sentido de continuar com iniciativas do género, com vista a se obter resultados palpáveis e ajudar as populações que vivem em zonas de difícil acesso e que não têm condições financeiras para se deslocar às cidades em busca de assistência médica e medicamentosa.
Os valores éticos e morais a nível dos profissionais do Ministério da Saúde são uma grande preocupação, disse o governante, que instou a Ordem dos Médicos de Angola a continuar a trabalhar para mudar o quadro.
Sob o lema “Médicos unidos por uma classe mais valorizada”, a jornada científica, em saudação ao Dia Nacional do Médico, abordou temas sobre “O banco de leite humano”, “Pé diabético”, “Doenças de refluxo gastro esofágico”, “Insuficiência renal crónica”, “Tuberculose em Angola”, bem como “Estudos comparativos entre hepatite B e C, VIH/Sida e malária”.

Feira de Saúde
Cerca de três mil pessoas das localidades de Caiundo, Jamba Cueio e Menongue, com diversas patologias receberam assistência médica e medicamentosa, durante cinco dias, na Feira de Saúde, promovida pela Ordem dos Médicos de Angola, na província do Cuando Cubango.
A bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, disse que durante cinco dias foram atendidos 719 pacientes na especialidade de Pediatria, 727 em Medicina Geral, 129 em Oftalmologia, 124 em Ginecologia obstetrícia, 69 em Estomatologia, 45 em Cirurgia, 19 em Fisiatria, 12 em Psiquiatria e igual número de casos na especialidade de Endocrinologia e cinco em Ortopedia-traumatologia.
Fez saber que as patologias mais registadas foram a malária com 213 casos, parasitose intestinal com 228, febre tifóide com 123, doenças respiratórias agudas com 88, diarreicas com 59, pneumonia com 55, cataratas com 30.
De acordo com Elisa Gaspar, 90 por cento das crianças dos zero aos cinco anos, das referidas comunas, foram diagnosticadas com malnutrição severa, o que considerou bastante preocupante e que merece atenção especial do Governo Provincial do Cuando Cubango.
Disse ainda que foram realizadas 15 operações de pacientes que apresentavam várias enfermidades, com realce para os casos de cataratas, pé diabética, quistos, hérnias, apendicite, abcesso, entre outros casos.
Além da assistência médica e medicamentosa, foram realizadas palestras, no sentido de sensibilizar a comunidade a pautar pela prevenção de várias patologias, tendo em conta que a medicina, além de curativa, deve ser preventiva, para se evitar vários casos de doenças e de mortes.
A Ordem dos Médicos de Angola ofereceu uma tonelada de medicamentos, materiais gastáveis diversos, ao Hospital Geral do Cuando Cubango, Hospital Municipal e Pediátrico de Menongue, Maternidade Provincial e centros de Saúde das comunas do Caiundo e Jamba Cueio, bem como 20 cadeiras de rodas e uma caixa de canadianas.

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