Sociedade

Melhoria da qualidade do ensino depende das condições sociais

César Esteves

O secretário de Estado da Educação para o Ensino Técnico Profissional mostrou-se céptico quanto ao ensino de qualidade nas zonas longínquas do país, enquanto não forem criadas as mínimas condições de trabalho para os professores que leccionam nestas áreas.

Secretário de Estado reconhece dificuldades dos professores que leccionam em áreas remotas
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

Falando à imprensa à margem do seminário sobre “Direcções de instituições educativas: fundamentos e importância para a qualidade da educação” dirigido aos responsáveis do sector da Educação, Jesus Baptista ressaltou que a ausência de um banco em algumas localidades, onde os professores possam efectuar qualquer operação e recepcionar os seus salários, faz com que se desloquem em áreas onde existam dependência bancária.
Reconheceu que esta si-tuação tem contribuído para que os professores fiquem três semanas sem dar aulas. “Por isso, é necessário que se crie condições nestas áreas para que sintam motivados a ficar e transmitir os seus conhecimentos aos alunos”.
O secretário de Estado da Educação sublinhou que a motivação desses professores passa, necessariamente, pela criação de melhores condições nas zonas onde são colocados, mas disse que o assunto não é somente da responsabilidade do Ministério da Educação, mas também de ou-
tras entidades.
“Temos de ter em conta que as vias de acesso, o fornecimento de energia e outros factores concorrem para que, de facto, o professor, colocado nas zonas ru-rais, consiga permanecer onde foi colocado e poder dar aulas com a qualidade que se impõe”, realçou.
Jesus Baptista acredita que se o problema das estradas forem resolvidos, com certeza, irá atrair outras instituições a estas localidades, consideradas até aqui de difícil acesso.
“Não me refiro apenas dos bancos, mas também de outros serviços”, realçou, para acrescentar que se há vontade de se alcançar o desenvolvimento, deve-se, primeiro, resolver o problema das estradas.
“Se for solucionado este problema, naturalmente tudo será mais fácil e os professores jamais deverão abandonar as áreas para onde foram colocados e poder recepcionar os salários”, acentuou.
Em relação ao seminário, promovido pelo Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação (IN-FQE), Jesus Baptista disse tratar-se de uma iniciativa que se enquadra no programa de trabalho do sector, que prima pela formação, capacitação e superação dos professores.
O secretário de Estado considera fundamental que se dê as componentes necessárias aos professores, para que os processos, em salas de aulas, sejam realizados com a qualidade que se reclama.
O governante referiu que a formação não deve ser dada apenas aos professores, mas, também, aos responsáveis, por serem pessoas que têm a missão de pôr em prática a política do sector da Educação.
Formação Executiva
Isac Paxe, director geral do Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação, ex-plicou que seminário faz parte de uma cultura que o Ministério da Educação está a instituir.
O responsável disse que foi preparado um pacote designado “Formação Executiva”, que vai preparar os quadros e técnicos não só a nível central, como também local, para que compreendam os processos ligados à gestão e liderança da educação.
Isac Paxe disse que iniciativa vai ajudá-los a planificar e coordenar todas as suas acções, para que a educação aconteça na escola na qualidade esperada. “O trabalho que chega à escola é projectado no topo. É esse topo que, nesse momento, faz parte do foco da nossa atenção”, ressaltou.

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