Sociedade

Milhares de trabalhadores podem ficar no desemprego

Helma Reis |

Os trabalhadores afectos às sete indústrias situadas na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, que podem ser privatizadas, mostram-se preocupados com o possível rompimento do vínculo jurídico-laboral.

Trabalhadores realizaram uma marcha pacífica defronte à Unidade Industrial AngolaCabos, Limitada, na Zona Económica
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Carlos Manuel Neto, presidente do Sindicato Democrático dos Trabalhadores da Indústria Comércio e Serviço de Luanda, apelou à necessidade das instituições de direito no sentido de se encontrar equilíbrio nos interesses dos trabalhadores.
Por essa razão, foi realizada, na manhã de sexta-feira, uma marcha pacífica defronte à Unidade Industrial AngolaCabos, Limitada, situada na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, que culminou com uma assembleia geral, nas instalações da unidade fabril Vedatela.
De acordo com Carlos Manuel Neto, o encontro serviu para analisar as constantes violações da Lei Geral de Trabalho, bem como das convenções 87, 98, 154 e 15, ambos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificados por Angola.
“Não existe comunicação e diálogo entre a Comissão Multissectorial e o Sindicato dos Trabalhadores, quanto à privatização e venda das primeiras sete unidades industriais na ZEE”, lamentou o presidente da associação.
O presidente do sindicato informou que, nos próximos dias, será apresentada uma missiva ao Presidente da República, denunciando as violações da Comissão Multissectorial do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) e da Sonangol Investimento Industrial para com os trabalhadores.
Para ele, o objectivo é denunciar a forma como está a ser manuseado o processo de venda e privatização das sete unidades fabris. Trata-se das fábricas Univitro, Juntex, Carton, Absor, Indugited, Coberlen e Saciango.
A indexação dos salários também é uma das questões abordadas na assembleia. Pedro Kingalo, secretário para os Assuntos Jurídico-Laboral e Social, do Sindicato dos Trabalhadores, explicou que na altura da admissão, aquando da assinatura dos contratos, os salários foram indexados ao dólar e pagos em kwanzas, ao câmbio oficial (BNA), e até à data nada foi feito.
“O jogo do rato e o gato levou ao desespero aos mais de mil trabalhadores de diversas unidades fabris na Zona Económica Especial, que se viram obrigados a escrever uma carta para o Ministério das Finanças, no sentido de receberem um esclarecimento sobre o que foi lavrado no contrato, e até à data também não obtivemos resposta”, disse.
O secretário para os Assuntos Jurídico-Laboral e Social do Sindicato dos Trabalhadores sublinhou ainda que a Sonangol Investimento Industrial fez sair uma nota a pedir à direcção das empresas para mobilizar os trabalhadores no sentido de resolver o problema da indexação para evitar que estes façam greve.
Pedro Kingalo disse que o sindicato quer dialogar com as direcções das unidades fabris e delas obter esclarecimentos sobre o processo de privatização, uma vez que “é quase de domínio público que todas as unidades de produção ligadas à Sonangol Investimento Industrial vão passar para os privados”. Segundo Pedro Kingalo, as direcções das empresas estão a transmitir aos trabalhadores que vão ser indemnizados, pelo facto de o contrato assinado ser por tempo indeterminado, sem que tenham chegado a um acordo com o sindicato.

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