Sociedade

Missão humanitária na Beira foi distinguida

Victória Ferreira

Pelo menos 128 militares e civis angolanos, entre médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório e epidemiologistas, que durante 40 dias prestaram serviços de emergência e pós emergência em Moçambique, foram agraciados, ontem, em Luanda, com diplomas de mérito, pela sua participação na missão humanitária de ajuda aos sinistrados da cidade da Beira, fortemente afectada pelo ciclone “Idai”.

Militares e civis angolanos que estiveram em Moçambique durante 40 dias são reconhecidos
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

O ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião, que orientou a cerimónia, disse que o Chefe de Estado decidiu outorgar com um certificado de mérito os membros da missão humanitária angolana em Moçambique, como prova do reconhecimento da sua dedicação e exemplar desempenho nas tarefas que lhes foram acometidas.
Na sua intervenção, o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do PR manifestou-se orgulhoso pelo papel desempenhado individualmente por cada um dos membros da missão angolana, o que permitiu cumprir com responsabilidade e profissionalismo as suas tarefas.
Pedro Sebastião exaltou o facto de Angola ser uma nação de tradições de solidariedade, que se fizeram sentir nos diversos momentos da sua história, reconhecendo o verdadeiro valor dessa palavra, quer por ter beneficiado de ajuda de outros povos quando passava por dificuldades em momentos determinantes.
Perante o trágico quadro humanitário, disse Pedro Sebastião, Angola não podia mostrar-se indiferente e deixar de mostrar a sua solidariedade ante o apelo internacional para ajudar o povo moçambicano, “ao qual ligam-nos profundos laços de amizade, que a história comum se encarregou de cimentar”.
Pedro Sebastião acrescentou, por outro lado, que Angola encara a solidariedade como um meio para fortalecer os laços históricos de amizade existentes com os outros povos , principalmente os da região austral do continente, nomeadamente as nações que integram a SADC, a CEEAC, e num sentido mais alargado a CPLP.
O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, Egídio de Sousa e Santos, exortou, por sua vez, os efectivos das FAA a seguirem o brilhante exemplo de patriotismo e bravura no cumprimento do dever pátrio, mantendo sempre presente o lema “A pátria aos seus filhos não implora, ordena!”.
A subtenente Berta Pinto Samuel, 30 anos, ao serviço do Exército há cinco anos, disse ser a primeira vez que participou numa missão do género e sentiu-se regozijada por ter ajudado muitas famílias daquele país irmão, num centro de acolhimento, na cidade da Beira.

Lutucuta enaltece sentido de Estado

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, enalteceu, ontem, em Luanda, a forma solidária, disciplinada, abnegada, o espírito de entrega e de irmandade dos membros da missão de ajuda humanitária de Angola, que durante 40 dias prestaram apoio à população da Beira (Moçambique) afectada pelo ciclone Idai.
A ministra, que falava na cerimónia de homenagem aos membros da missão, afirmou que o trabalho humanitário foi desenvolvido com sentido de Estado, representando condignamente os angolanos. De acordo com Sílvia Lutucuta, o gesto fraterno para com o povo irmão de Moçambique falou mais alto, por ser a evidência da solidariedade, amor ao próximo e de construção de uma sala na escola da vida.
A missão desenvolveu, entre outras acções, a reabilitação e apetrechamento do centro de saúde do Dondo, assistência médico-sanitária às populações afectadas, tendo no final oferecido uma ambulância à direcção da unidade hospitalar. O Governo angolano disponibilizou meios aéreos e terrestres para apoiar as populações afectadas pelo ciclone Idai, bem como alimentos e medicamentos.
Os helicópteros da Força Aérea nacional realizaram mais de 70 voos, estabelecendo pontes de reabastecimento alimentar e de meios às comunidades longínquas.

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