Sociedade

Mortes de Beatriz e Muxito continuam a ser investigadas

André da Costa |

Os presumíveis autores do assassinato, há duas semanas, em Luanda, da jornalista Beatriz Fernandes e do seu acompanhante Jomance Muxito tentaram vender a viatura em que seguiam as vítimas, revelou ontem, mas sem adiantar grandes pormenores, o director provincial-adjunto de Luanda do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Jovens em conflito com a lei apresentados ontem à comunicação social pela Polícia Nacional
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

O superintendente Jorge Pederneira prestou a informação quando respondia a uma pergunta sobre o estado da investigação ao duplo homicídio, um crime que chocou Luanda, no decurso de uma cerimónia de apresentação à comunicação social de dezenas de marginais presumíveis autores de crimes que chegaram ao conhecimento da corporação.    
“O móbil do crime é o roubo da viatura para comercialização”, declarou o investigador Jorge Pederneira, que assegurou que os cinco até agora detidos, e não seis como foi noticiado há dias, tiveram participação directa no duplo homicídio. Jorge Pederneira remeteu a curiosidade dos jornalistas para a apresentação dos implicados tão-logo o processo-crime esteja concluído.    
“Não podemos fornecer outros dados sobre o caso, porque a investigação continua, visando a detenção de mais elementos envolvidos no crime”, acentuou o director-adjunto do SIC Luanda, que acrescentou que "os cinco detidos estão envolvidos em três momentos do crime:  morte de Beatriz Fernandes e do seu acompanhante, roubo da viatura e tentativa de comercialização do veículo".
Perante a insistência dos jornalistas presentes, o investigador Jorge Pederneira revelou que alguns elementos foram detidos quando tentavam vender a viatura para repartirem o dinheiro. Parco em palavras, Jorge Pederneira acentuou que os "cinco elementos assassinaram de forma brutal" a jornalista Beatriz Fernandes e Jomance Muxito e adiantou que a maioria dos já detidos "são estrangeiros", uma informação que contraria o que foi divulgado, há dias, pelo comandante-geral da Polícia Nacional, que disse serem todos estrangeiros, mas sem revelar a nacionalidade, os indivíduos já detidos.          
O oficial do Serviço de Investigação Criminal, que evitou entrar em detalhes, informou que o Serviço de Investigação Criminal continua a trabalhar no caso, para a detenção de mais eventuais elementos envolvidos no caso.
Marginais detidos
Ontem, o SIC apresentou, no Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, mais de uma dezena  de indivíduos, maioritariamente jovens, detidos por estarem presumivelmente implicados em crimes como violação, homicídio voluntário, assalto a moradias e roubo de motorizadas na via pública. Entre os detidos estão quatro jovens, dos 18 aos 25 anos, que são integrantes de um grupo que se dedicava ao cometimento de crimes no municipio de Cacuaco.
O grupo, segundo o SIC, é acusado de ter disparado um tiro, no dia 23 de Setembro, contra um jovem de 19 anos, identificado como Pedro António, que não perdeu a vida por ter sido rapidamente transportado para uma unidade sanitária. No rol de detidos está também um homem de 42 anos, acusado de ter violado uma menor de 11 anos, no Distrito Urbano da Samba.
Um grupo de três jovens, dos 24 aos 38 anos, está também detido  por roubo, no município de Belas, de uma viatura, já recuperada pela Polícia Nacional.
Edson Estêvão, um dos integrantes, disse à comunicação social que o grupo tinha a pretensão de vender a viatura a fim de repartir o dinheiro de forma equitativa.
A Polícia garante que está controlada a criminalidade na província de Luanda, desdamatrizando as preocupações da população relativas a um eventual aumento do sentimento de insegurança nas comunidades.

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