Sociedade

Mulher zungueira é foco de um estudo em Luanda

Manuela Mateus

O papel da mulher zungueira na sociedade é o foco de um projecto intitulado “Direitos da Mulher no Mercado Informal”, desenvolvido pela associação Observatório de Políticas Públicas na Perspectiva de Género.

Excessos na actuação contra as vendedoras estão a preocupar
Fotografia: Contreiras Pipa| Edições Novembro

A existência do projecto foi revelada ao Jornal de Angola pela directora executiva da associação, Delma Monteiro, que salientou que o fenómeno “zunga” está mais acentuado na província de Luanda e é praticado principalmente por mulheres de outras regiões do país, a maioria das quais veio para Luanda em decorrência do êxodo rural resultante da guerra.
A activista social explicou que os casos isolados de excesso na actuação de agentes da Polícia Nacional e do Serviço de Fiscalização estão também na origem da criação do projecto e afirmou que os agentes das duas instituições são figuras fundamentais na relação das zungueiras com o negócio.
Delma Monteiro foi visivelmente crítica quando comentou a Operação Resgate, que, na sua opinião, só devia ser implementada depois da criação de opções para as zungueiras.
“A Operação Resgate é uma iniciativa louvável e satisfatória porque a intenção é a retirada de vendedores ambulantes das ruas, para deixarem de vender em zonas de risco”, reconheceu Delma Monteiro, que deu ênfase à necessidade de fiscalização de todo o tipo de produtos comercializados na rua, para que a saúde pública não fique comprometida.
Delma Monteiro acentuou que, “infelizmente, a Operação Resgate, logo que chegou às ruas, começou a trabalhar de forma diferente” e prova disso são os casos isolados de agressão, mortes, apreensão de mercadorias e o encerramento de “casas de processo”, os chamados espaços onde são acondicionados produtos para venda. A activista social disse acreditar que a “Operação Resgate” causou “um grande impacto” em centenas de famílias, que têm no comércio informal a única fonte de rendimento. O estudo sobre a mulher zungueira não focou os excessos na actuação da Polícia.

Tempo

Multimédia